Profissionais de saúde vão a tribunal internacional e acusam Bolsonaro de crime contra a humanidade

(SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Profissionais da saúde solicitaram ao Tribunal Penal Internacional (TPI), nesta segunda-feira (27), que inicie uma investigação sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro da pandemia de COVID-19, que consideram um crime contra a humanidade.

O caso foi levado ao tribunal em Haia por uma coalizão de sindicatos, que afirma representar mais de um milhão de trabalhadores da saúde de todo o Brasil.

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Os sindicatos acusam o presidente de extrema direita "de ter agido com negligência criminosa durante sua gestão da pandemia de COVID-19, arriscando a vida de profissionais da saúde e membros da sociedade brasileira", de acordo com documentos consultados pela AFP.

O TPI, criado em 2002, não tem a obrigação de aceitar os milhares de pedidos levados ao seu tribunal, que decide de modo independente quais casos apresentarão aos magistrados.

Jair Bolsonaro, que anunciou ter dado negativo para o coronavírus no sábado, mais de duas semanas depois de um teste positivo, tem frequentemente minimizado a gravidade da pandemia, chamando-a de "gripezinha".

Os sindicatos afirmam que Bolsonaro "perpetuou os riscos de contágio pela COVID-19, organizando reuniões com seus apoiadores, abordando-os sem máscara e promovendo um tratamento médico altamente questionável, com hidroxicloroquina", considerado ineficaz contra a pandemia após vários estudos científicos.

"O governo Bolsonaro deve ser considerado responsável por sua resposta à pandemia e por sua recusa em proteger os profissionais de saúde e brasileiros que jurou defender", disse em um comunicado Marcio Monzane, secretário para a região das Américas da federação sindical UNI Global Union.

O Brasil é o segundo país mais afetado pela COVID-19, com mais de 2,4 milhões de casos e cerca de 87.000 mortes, de acordo com dados oficiais.

Bispos também criticam presidente

Um grupo de 150 arcebispos e bispos da Igreja Católica assinaram uma carta com duras críticas ao presidente. No documento, os religiosos dizem que o governo federal mostra "omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres", além de "incapacidade para enfrentar crises".

Na carta, os religiosos afirmam que o Brasil atravessa "um dos momentos mais difíceis de sua história", vivendo uma "tempestade perfeita". Essa tempestade, nas palavras dos bispos, culminaria em uma "crise sem precedentes na saúde" e em um "avassalador colapso na economia", com a tensão "provocada em grande medida pelo Presidente da República [Jair Bolsonaro] e outros setores da sociedade".

Os bispos dizem no documento que a situação "é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga e nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros".

Ainda de acordo com o texto, "Carta ao Povo de Deus", os bispos e arcebispos afirmam que Bolsonaro usa o nome de Deus para "difundir mensagens de ódio e preconceito".

Em nota, a CNBB informou que o documento "nada tem a ver" com a confederação.

Com informações da AFP

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