Programa Alimentar Mundial distribui comida no norte da Ucrânia

O famoso solo negro da Ucrânia deveria ser um dos celeiros do mundo, mas após meses de guerra, a abundância deu lugar à fome em pequenas aldeias agrícolas.

Lebyazhe, 51 quilómetros a sudeste de Kharkiv, esteve meses na linha da frente, até à contraofensiva ucraniana relâmpago, com a população sujeita ao medo e à escassez. Agora, os residentes fazem fila para a comida.

Muitos são idosos, como Galina Mykhailivn, uma mulher de 75 anos, que conta, com lágrimas, o que tem sido viver debaixo de bombas com praticamente nada para comer.

"No início não tínhamos nada, não tínhamos lojas abertas, não tínhamos comida nenhuma. Agora só peso 33 quilos", diz, acrescentando: "É trágico, eles destruíram toda a aldeia. Antes era tão bom, agora está destruído".

Cada caixa de ajuda, do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, contém 12 quilos de alimentos básicos - óleo, arroz, massa, feijão e carne enlatada.

Os alimentos chegam, mas com a aproximação do inverno, a aldeia está sem eletricidade e sem gás

"Sim, seis meses sem eletricidade. E agora já três meses sem gás, mas vamos conseguir de alguma forma", diz Lyubov Polushkyna, com otimismo.

Lebyazhe era, antes da guerra, uma aldeia pacífica com vastas extensões de campos de girassol. Além disso, cada casa tinha a sua própria horta e animais.

Os vizinhos ajudam-se mutuamente a carregar as pesadas caixas de comida. Alguns carregam-nas em carrinhos de mão, outros em bicicletas. O encontro é animado. Uma oportunidade para cumprimentar os vizinhos e esquecer os problemas, pelo menos durante algumas horas.