Programa de combate à fome já distruibuiu 5,4 mil toneladas de alimentos desde início do isolamento social

O programa de combate à fome Mesa Brasil Sesc divulgou neste sábado, dia 16, que já distribuiu mais de 5,4 mil toneladas de alimentos no Brasil desde o início do isolamento social em março, beneficiando cerca de 1,4 milhão de famílias por mês em 500 municípios do país.

Para distribuir as doações, a rede nacional de banco de alimentos usou os 91 pontos de coletas e distribuição espalhados por todos os estados brasileiros, distribuindo-os para as 6 mil entidades assistenciais cadastradas que atendem diretamente à população que encontrou dificuldades para se alimentar devido aos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19.

"Uma pessoa com fome não estuda, não trabalha, não produz, não se sente cidadão. Combater a fome não é um ato de assistencialismo, mas o cumprimento de um direito social que confere cidadania e colabora no desenvolvimento do país. Nosso trabalho é assegurar que o alimento, fora dos padrões comerciais, mas apto para o consumo, não seja desperdiçado e chegue à mesa para quem mais necessita. Nesse momento, com o cenário da pandemia da Covid-19, esse trabalho se torna ainda mais essencial”, afirma Ana Cristina Barros, gerente de assistência do departamento nacional do Sesc.

As 5,4 mil toneladas de alimentos também atendem à parcela da população que passou a precisar de doações por causa das consequências do isolamento social, como companhias circenses, refugiados, integrantes de aldeias indígenas e moradores de comunidades.

Além de alimentos, o Mesa Brasil ampliou suas parcerias para arrecadar materiais de limpeza e higiene pessoal. Desde março, foram distribuídos 271 quilos de álcool em gel e sabonetes, entre outros itens.

Mais de 50 milhões vivem com menos de R$ 400 no Brasil

De acordo com o banco de alimentos, mais de 50 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 400 por mês no país. E a situação se agravou por conta das restrições decorrentes da pandemia do novo coronavírus, que teve impactos na atividade econômica e ampliou o desemprego.

Estimativas recentes do Banco Mundial indicam que, mesmo antes da Covid-19, até 5 milhões de brasileiros poderiam entrar na faixa de extrema pobreza, situação em que já se encontram cerca de 15,2 milhões de pessoas, segundo a Síntese dos Indicadores do IBGE/2018.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a crise causada pela pandemia do novo coronavírus pode fazer com que o mundo retroceda 20 anos no enfrentamento à fome. As projeções indicam que pode haver um aumento de 140 milhões no número de pessoas em pobreza extrema, levando para 1 bilhão a quantidade de pessoas que passam fome no mundo.