Programa da Globo ‘A roda’ conversa com pessoas que vivem o samba 365 dias por ano

Isabella Cardoso

O carnaval é o protagonista do programa “A roda”, que a TV Globo exibe neste sábado, logo após o “Jornal hoje”. Gravada no começo de janeiro, a atração reúne um grupo de convidados do mundo do samba para mostrar a diversidade cultural e a tradição da folia carioca. O apresentador Chico Regueira se une a Milton Cunha e aos cantores Leci Brandão e Moacyr Luz, com a turma do “Samba do trabalhador”, para conversar sobre todo esse universo.

— A nossa ideia dessa vez foi fazer uma homenagem à grande “fábrica do sonho” que é o carnaval, especificamente onde ele é construído: na Cidade do Samba. Ali, o programa ficou muito vivo porque quem passava e circulava acabava ouvindo e participando. Teve uma energia maior — diz Regueira.

O apresentador adianta que “A roda” vai contemplar todos os possíveis carnavais que existem no Rio, com personagens de idades entre 18 e 35 anos. Segundo ele, a ideia principal é contar histórias que representam bem o samba e a cidade.

— A gente vai do ritmista ao bate-bola. Tem passistas, foliões de carnaval de rua, o carnaval da Intendente Magalhães, as rodas de samba... — conta Regueira, que continua: — Fomos garimpando os personagens ao longo do ano, nas diversas matérias que gravamos na rua. O Rio é uma cidade tão grande e plural que provoca também o surgimento de histórias surpreendentes. As pessoas têm que inventar e reinventar suas vidas diariamente.

O jornalista destaca alguns dos nomes convidados para o programa como Manu da Cuíca, que emplacou o segundo samba-enredo consecutivo na Mangueira, e mestre Vitinho.

— Ele é o mestre de bateria da Unidos da Ponte (escola de São João de Meriti da Série A), filho do grande e lendário mestre Faísca. Vitinho é discípulo de Nilo, mestre da Portela, que aprendeu tudo sobre ritmo justamente com Faísca. Então, há também no programa essa abordagem das dinastias do samba.

Outro exemplo interessante de tradição que passa de pai para filho são os bate-bolas.

— Para mim, é a cultura mais autêntica do subúrbio. Eles afirmam essa prática como uma paixão, assim como o futebol. As fantasias são riquíssimas, lindas e parecem obras de arte.

O programa, que chega a sua segunda edição este ano, conta com outros convidados: Wesley Teixeira, que transmite os desfiles da Intendente Magalhães desde os 13 anos por meio de uma rede social; a ex-ginasta e perna de pau Iasmin Patacho e Enzo Belmonte, sambista e intérprete da Mangueira do Amanhã.

Apaixonado pelo Rio

Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, o apresentador conta que se encantou pelo carnaval assim que chegou à Cidade Maravilhosa, com 16 anos.

— Vivi o renascimento do carnaval de rua no Rio, que gosto tanto quanto o da Marquês de Sapucaí. O que me apaixonou também foi essa cultura de escola de samba. Lembro que, logo assim que pude começar a andar sozinho, comecei a frequentar as quadras.

Morando na cidade há mais de 20 anos, o repórter reafirma seu amor pela festa.

— O carnaval faz parte da cultura do Rio de Janeiro e da nossa identidade. Por mais interessante que seja a festa em outras cidades, não tem a tradição que existe aqui. Além disso, é uma indústria que gera empregos, renda e paixão.