Programa Refloresta Rio replantou mais de 10 milhões de mudas na cidade em 35 anos

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RIO - Em 1996, o topo do Morro da Babilônia, no Leme, Zona Sul do Rio, era uma desolação de capim e pedra. Contavam-se as árvores nos dedos das mãos. Vinte e cinco anos depois, o mesmo local é uma mata densa. O que transformou esse e outros morros da cidade foi o Refloresta Rio, programa da prefeitura que completa 35 anos este mês e já replantou mais de 10 milhões de mudas numa área de 3.460 hectares — para efeito de comparação, a Floresta da Tijuca tem cerca de 3.900 hectares.

Criado antes mesmo da própria Secretaria de Meio Ambiente (SMAC), o Programa de Reflorestamento e Preservação de Encostas brotou em 1986, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social. A primeira muda, porém, só foi plantada em fevereiro do ano seguinte, no Morro São José Operário, na Praça Seca, Zona Oeste da cidade.

Débora Barros Augusto, subsecretária de Meio Ambiente, está envolvida com o reflorestamento desde 2004:

— É uma política pública que perpassa gestões e que faz com que o carioca receba esses benefícios, como a melhoria do microclima e a contenção de invasões.

expansão das milícias

Um dos principais desafios encontrados para as ações de reflorestamento no município é um problema crescente de segurança pública: a expansão das milícias. Em junho, uma ação recuperou e reflorestou um terreno de aproximadamente dois hectares que havia sido desmatado por um grupo criminoso na Vila Aliança, Zona Oeste do Rio.

— Nosso sistema de trabalho de mutirão utiliza a mão de obra local e os próprios moradores são contra essas ações das organizações criminosas. Eles tinham, muitas vezes, medo de fazer algum tipo de ação por conta própria. Mas os locais e os voluntários sentem os benefícios que essa área recuperada pode oferecer — explica Débora.

Irapuan Caetano do Nascimento, de 69 anos, trabalha em ações de reflorestamento pelo programa desde 2014 em Campo Grande, na Zona Oeste. Naquele ano, ele e outros dez moradores da região replantaram, com financiamento e suporte técnico da secretaria, uma área de 25 hectares que havia sido queimada. Hoje, a mata faz parte do Parque Estadual da Pedra Branca.

— O trabalho trouxe uma recompensa enorme, porque já dá para ver um monte de árvores, animais silvestres, tamanduás e até araras aparecendo de vez em quando — comemora Irapuan.

Uma das pessoas inspiradas pelo programa é o professor Richieri Antônio Sartori, do Departamento de Biologia da PUC-Rio, um dos autores do livro “Florestas aos montes: a recuperação das matas do Rio de Janeiro”:

— Faço parte da restauração ambiental desde 1998 e nunca vi uma prefeitura, em qualquer outra parte do mundo, ter uma influência tão grande em termos de reflorestamento. Não fosse a redução da temperatura ambiente provocada por projetos como esse, seria impraticável viver na cidade do Rio atualmente.

Ao longo de 35 anos de trabalho, o Refloresta Rio já plantou 273 espécies, sendo 63 sob ameaça de extinção. Há seis viveiros de mudas, onde são preparadas para plantio espécies como pau-brasil, ipê, angico, paineira, pau-ferro e aroeira, entre outras. Além dos morros, o Refloresta também recupera áreas de mangue, como no Jequiá, na Ilha do Governador, e de restinga, como a Praia da Reserva, no Recreio.

*Estagiários sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga

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