México encara desafio de regulamentar consumo e produção medicinal da maconha

Cristina Sánchez Reyes.

México, 17 jul (EFE).- O México deu um importante passo ao aprovar o uso medicinal da maconha, mas ainda enfrenta o desafio de regulamentar o consumo para evitar vícios, além de fabricar produtos nacionais e impulsionar a pesquisa, de acordo com especialistas consultados pela Agência Efe.

"Nós ainda enfrentamos problemas para a fabricação de produtos nacionais e locais para pesquisa", explicou à Efe o médico Saúl Garza, diretor do departamento de Neurociências do Instituto de Perinatologia.

No dia 20 de junho foi publicado no Diário Oficial da Federação (DOF) o decreto que legaliza a maconha para uso terapêutico em todo México.

No entanto, Manuel Mondragón, chefe da Comissão Nacional contra Vícios (Conadic), afirmou que o Governo Federal tem 180 dias para regulamentar o uso terapêutico e medicinal da maconha.

Para Fernando Cano Valle, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), o problema para a regulamentação do uso medicinal da maconha é que "não existe uma estratégia nacional sobre as drogas que proporcionam um ambiente seguro para população em geral".

Além disso, o ex-chefe da Conadic também afirma que o sistema público de saúde não forneceu assistência médica completa aos usuários de maconha e outras drogas.

Nesse sentido, Saúl Garza considera ainda que a legislação é um grande passo para o México, que está atrasado em relação a outros países da América Latina.

"Países como Uruguai, Chile, Argentina, Brasil e Colômbia já liberaram as plantações individuais em casa, onde você pode fazer uso pessoal e com isso eles estão na nossa frente", afirma.

Outro dos principais desafios em relação ao uso da maconha medicinal é o impulso a pesquisas sobre o assunto, que também está atrasado.

"São necessárias mais pesquisas. Em institutos como o de Cardiologia, de Doenças Respiratórias, de Perinatologia, por exemplo, não há pesquisadores estudando a maconha e seus efeitos", disse.

De acordo com Garza, tratamentos médicos que são realizados como produtos contendo maconha poderiam beneficiar 300 mil pessoas no México, melhorando crises em doenças como epilepsia e, no futuro, outros problemas como Parkinson e esclerose múltipla.

A nova legislação, segundo o especialista, irá promover "novas linhas de trabalho e novaas drogas de origem mexicana que poderiam beneficiar pacientes no México e exterior".

Sobretudo na questão de preços, pois um frasco com 325ml de 100% canabidiol puro pode custar cerca de 6,5 mil pesos (US$ 356).

O desenvolvimento de produtos mexicanos à base de maconha, estima, pode reduzir o custo dos medicamentos em 20% do seu valor atual, pois, por enquanto, "são produtos para ricos".

Nesse sentido, Raúl Elizalde, presidente da HempMeds México, primeira empresa que comercializa produtos a base de cannabis no país, disse à Efe que o país está recuperando o atraso sobre os outros que conseguiram a legalização da maconha.

Elizalde, pai de Grace, menina de 10 anos com síndrome de Lennox-Gastaut, que há dois segue por todo México debatendo sobre a legalização da maconha medicinal, diz que ainda existe um longo caminho pela frente.

"Temos que começar do zero, com pesquisas científicas que cumpram com as normas para registrar estes produtos e vendê-los como medicamentos", afirma.

A ideia da HempMeds é fabricar medicamentos e deixa-los ao alcance da população mexicana e no futuro, exportá-los para todo o mundo. EFE