Banco Mundial reduz projeção da economia e indica nova barreira para reeleição

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    Político brasileiro, 31° presidente do Brasil
Brazil's President Jair Bolsonaro speaks with Brazil's Economy Minister Paulo Guedes during a signing decrees ceremony of gas assistance in Brasilia, Brazil December 2, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Jair Bolsonaro conversa com seu ministro da Economia Paulo Guedes durane evento em Brasília. Foto: Adriano Machado/Reuters

O Banco Mundial reduziu para 1,4% a projeção de crescimento da economia para este ano. A expectativa era que o Produto Interno Bruto avançasse ao menos 2,5% em 2022.

Se confirmada a projeção (ainda mais otimista do que a dos economistas do Boletim Focus, que apontam incremento de 0,28%), será o pior desempenho entre as economias emergentes, que crescerão em média 6,2%, segundo a instituição.

Isso significa que Jair Bolsonaro terá um empecilho e tanto na busca pela reeleição.

Nesta semana, ele já havia tentado tirar o corpo fora do resultado da inflação de 2021, que fechou em 10,06%, o dobro da meta do Banco Central para o ano.

Historicamente, desde a redemocratização, o desempenho econômico tem sido preponderante nos humores da sucessão. Para o bem e para o mal do governante de turno.

Na primeira disputa desde o fim da ditadura, em 1989, Ulysses Guimarães, do PMDB, naufragou devido à sua associação como o candidato de José Sarney. O presidente da época tinha taxa de reprovação de 60%, o que era explicado pela tentativa frustrada de debelar a hiperinflação e fazer a economia sair da UTI. O PIB na época registrava 3,28% de crescimento, mas sobre uma base de -0,10 do ano anterior.

Resultado: venceu Fernando Collor de Mello, azarão do nanico PRN –que mais tarde se tornaria PTC.

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Em 1994, com o sucesso do Plano Real e o controle da inflação, o ex-ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso (PSDB) encontrou caminho (quase) livre para ser eleito presidente logo no primeiro turno. Os ventos eram favoráveis. Naquele ano a economia avançou mais de 5,33%.

Em 1998, FHC foi reeleito, também no primeiro turno, apesar do crescimento raquítico da economia daquele ano (0,34%), mas sobre uma base ainda fresca na memória do eleitor, de 3,4%, do ano anterior.

Índice semelhante (3,3%) foi registrado quatro anos depois. Dessa vez não foi o suficiente para FHC fazer seu sucessor. Nas eleições de 2002, o ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB), foi derrotado para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesava contra o governo tucano o índice de desemprego, à época em 19%, a crise cambial, o aumento da dívida e a memória do apagão de energia elétrica do ano anterior.

Impactado pelo escândalo do chamado mensalão, que explodiu um ano antes com a denúncia do deputado Roberto Jefferson, o petista foi reeleito, no segundo turno e com dificuldade, em 2006, quando o PIB cresceu 3,96%. Foi salvo, portanto, pela economia.

Em 2010, Lula passou a faixa para a sucessora, Dilma Rousseff (PT), no auge de sua popularidade –de 87%, segundo o Ibope. Seu principal legado era um crescimento econômico de 7,53%.

O PIB dava sinais de encolhimento em 2014, quando Dilma passou perto de ser derrotada pelo tucano Aécio Neves. Os esforços para esconder os rombos que estavam por explodir custariam a popularidade da presidenta nos meses seguintes. Consequentemente, custou também a estabilidade no cargo. Ela sofreu um processo de impeachment em 2016, quando a economia registrou encolhimento de 3,28% (após queda de 3,55% do ano anterior), na maior recessão desde a redemocratização.

Como Sarney em 1989, Michel Temer (MDB), seu sucessor, virou um grande aliado tóxico para o peemedebista Henrique Meirelles na disputa de 2018, quando o PIB avançou apenas 1,32% –índice bem abaixo do desempenho prometido caso Dilma fosse ejetada do poder.

A crise econômica, somada aos solavancos políticos provocados pela Lava Jato, deu a Jair Bolsonaro (PSL), deputado do baixo clero disfarçado de outsider, um portão arrebentado para chegar à Presidência.

No primeiro ano de seu mandato, o desempenho da economia, de 1,9%, tanto frustrou as expectativas que ele levou um comediante para repercutir a notícia com os jornalistas. Em 2020, a pandemia do coronavírus derrubou a atividade econômica, que deu sinais tímidos de reação em 2021, com a reabertura e a vacinação em massa, mas não foi o suficiente para gerar tração no ano decisivo, quando passará por novo escrutínio das urnas. O crescimento em V prometido pelo ministro da Economia, o Posto Ipiranga Paulo Guedes, era miragem.

Com raras exceções, os antecessores que fracassaram no plano econômico foram julgados culpados pelos eleitores nos anos de votação. Bolsonaro tem delegado a culpa a governadores, juízes, Congresso e até a Anvisa. Pelos números da pesquisa Quaest/Genial, a conversa não colou até agora.

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