Projeto para conter inundações é contestado

RIO - A quatro meses do início do verão, temporada de chuvas intensas no Rio, a solução proposta pela prefeitura para os alagamentos de pontos críticos da cidade está em xeque, revela reportagem publicada nesta segunda-feira pelo GLOBO. Um estudo do Clube de Engenharia conclui que os piscinões não resolverão o problema crônico de enchentes na Praça da Bandeira - um clássico da fragilidade do sistema de drenagem carioca -, muito menos no Jardim Botânico ou na Lagoa Rodrigo de Freitas. Somente um túnel extravasor, antigo projeto dos anos 70 que parou por falta de verba, acabaria de vez com os rios caudalosos e poças gigantes toda vez que cai um temporal. A Fundação Rio Águas da prefeitura, no entanto, anuncia hoje uma licitação de R$ 292 milhões para construir piscinões (reservatórios subterrâneos) e desviar rios.

Os piscinões, defende o Clube de Engenharia, não afastam de vez os riscos de inundação, e têm alto custo de manutenção, devido à necessidade de dragagens periódicas. Além disso, os técnicos da entidade, que chegou a defender a paralisação imediata do projeto dos reservatórios, alertam para o fato de que a pretensão de desviar os excedentes de água, com pequenos túneis, para o Canal do Mangue e o Cais do Porto pode não funcionar quando a maré estiver alta.

Uma comissão foi formada, há cerca de dois meses, com técnicos da prefeitura e do Clube de Engenharia para estudar uma saída em conjunto. O presidente da entidade, Francis Bogossian, acredita que uma solução não exclui a outra.

- Nós não temos o poder de embargar a obra e, como ela já estava em andamento, vamos defender que as duas propostas sejam implantadas até porque o túnel extravasor é uma solução mais genérica para toda a cidade e não apenas para uma determinada área.

O túnel extravasor funcionaria captando a água excedente dos rios Joana, Maracanã, Trapicheiros, Macacos, Rainha 1 e Rainha 2 e a despejaria em mar aberto no costão do Vidigal. A obra começou a ser feita em 1971, mas foi paralisada. Em 1989, no governo Leonel Brizola, foi retomada, sendo, em seguida, novamente interrompida. Aproximadamente um quilômetro e meio já foi construído e a frente do túnel está sob a Rua Marquês de São Vicente.

O engenheiro Afonso Canedo, conselheiro do Clube de Engenharia responsável pela reanálise do projeto do túnel extravasor, afirmou que um levantamento informal estimou entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões o custo da obra.

- Achamos o sistema de operação dos piscinões mais complicado, além focar apenas a Praça da Bandeira. São reservatórios a mais de 30 metros de profundidade que, depois de receberem o excesso de água, terão que ser bombeados durante dois dias para devolvê-la aos rios. Se vier outra chuva e encontrar o reservatório cheio, vai alagar - explica Canedo.

A proposta da prefeitura prevê quatro reservatórios e desvio de rios, visando os alagamentos na Praça da Bandeira e nas regiões próximas, como Tijuca. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), somados a uma contrapartida municipal. As obras terão início neste semestre, após o término do processo licitatório, que tem prazo de 60 dias.

Veja a reportagem completa no Globo Digital (somente para assinantes)

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