Projeto dá aulas de música gratuitas pela internet durante a pandemia

Gilberto Porcidonio
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Reprodução / Agência O Globo

Violões, flautas, teclados, pandeiros e ukuleles que fazem parte das concorridas aulas do projeto Turma da Música — que já tinha conseguido levar educação musical a 245 jovens de três escolas municipais do Rio ao longo de 2019 — já eram afinados, mas ganharam outro ritmo. Com a pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais, que no ano passado seriam expandidas para novas turmas, tiveram que ganhar uma versão virtual. Sob a batuta da coordenadora pedagógica, a regente Maria Clara Barbosa, seis professores do projeto — quase todos ligados a atividades na área social e hoje estudantes de faculdades de música — tiveram que improvisar. E criaram 18 videoaulas que não só garantiram a continuidade do ensino a distância para os estudantes da rede pública como geraram material gratuito pra todos que desejem aprender a fazer música.

As gravações já estão disponíveis no canal deles no YouTube e passeiam por muitos temas imprescindíveis aos apaixonados pelas notas musicais: vão desde explicações sobre o que significa pulso, andamento e propriedades de som até a forma correta de posicionar cada dedo num instrumento de corda, por exemplo.

Criadora do projeto, a produtora cultural e musicista Cristiana Gurgel pretende que os vídeos sejam apreciados em larga escala e sem limites, principalmente pelas crianças. Para isso, ela vai ceder todo o material para a Secretaria municipal de Cultura, e também disponibilizar o conteúdo para escolas públicas do todo o Brasil, através das secretarias de educação e cultura de outras cidades que queiram usar as aulas em suas plataformas de ensino online. Para isso, os interessados em receber as videoaulas podem entrar em contato com ela pelo e-mail turmadamusicabrasil@gmail.com.

— Depois de atendermos nove turmas em 2019, só demos uma aula em 2020 e fomos obrigados a parar. Mas não queríamos interromper o projeto. Pensamos que, com as videoaulas, mais pessoas poderiam aproveitar. O contato com a música ajuda no desenvolvimento cognitivo, fortalece a autoestima e a identidade individual das crianças — diz ela, acrescentando ainda que a mudança no rumo do projeto foi absolutamente necessária porque tinha captado recursos pela Lei Rouanet e não queria deixar todos parados esperando a pandemia terminar. —Afinal, não sabemos por quanto tempo vai durar.

A musicista, que também defende que o projeto é uma forma de se brincar e aprender ao mesmo tempo, diz que não haverá retorno presencial do projeto, apesar de as escolas públicas já estarem se organizando para reabrir. A rede municipal do Rio já anunciou que retornará com as atividades presenciais a partir do dia 24, sendo gradativo, opcional e híbrido, com revezamento de turmas e com limitação dos estudantes a até 30% do total. Mas, de acordo com Cristiana, o manuseio de instrumentos musicais oferece um risco maior, o que inviabiliza um retorno seguro.

— Nós voltaremos quando houver uma vacinação em massa da população. Não tem como a gente passar instrumento de mão em mão e se aproximar dos alunos para ajeitar uma postura, uma fala... Por enquanto, vamos seguir online com acesso para o maior número de crianças possível porque acredito que essa alegria da música será fundamental nesse momento.

A regente Maria Clara Barbosa reforça que não basta assistir apenas a uma aula para sair tocando algum instrumento por aí, mas garante que, depois que o primeiro passo for dado, tudo pode acontecer:

— Quem se dedicar, assistir e treinar, vai ser capaz de sair tocando, sim. É para quem já toca, tocar, e para quem não sabe, ter vontade.