Projeto de cultivo de verduras e legumes ajuda a matar a fome nas periferias

Alma Preta
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Iniciativa criada há oito anos por professor da Zona Norte de São Paulo garante alimentação saudável aos moradores com doações periódicas (Foto: Marcelo Brandt/Prato Verde Sustentável)
  • Iniciativa atua no jardim Filhos da Terra, na região do Tremembé, Zona Norte de São Paulo

  • Cerca de 350 pessoas, 70 famílias, recebem cestas básicas a cada 15 dias

  • Para o idealizador, a instalação de hortas comunitárias em lajes e áreas subutilizadas pode aumentar a oferta de comida e capacitar os moradores sem emprego formal

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

Em mais de um ano de pandemia o custo de vida da população brasileira aumentou assim como milhões de pessoas voltaram a passar fome em vários territórios periféricos. Um projeto chamado Prato Verde Sustentável propõe soluções simples para os territórios com vulnerabilidade econômica.

“Os resultados são muitos, como a diminuição dos impactos socioambientais já que a gente leva a economia solidária a circular”, conta o professor Wagner Ramalho.

Formado em artes cênicas, geografia e gestão ambiental, ele criou o projeto em 2013, sete anos antes da pandemia, com o objetivo de promover a alimentação equilibrada e com baixo custo para os moradores das periferias. A iniciativa também doa cestas básicas para famílias sem renda.

O Prato Verde Sustentável atua no jardim Filhos da Terra, na região do Tremembé, Zona Norte de São Paulo, onde atende 70 famílias, cerca de 350 pessoas, com cestas de alimentos a cada 15 dias.

A iniciativas já produziu cerca de 25 toneladas de produtos agroecológicos. O começo foi com hortas comunitárias, que Ramalho acredita que a instalação em lajes e áreas subutilizadas pode aumentar a oferta de comida e capacitar os moradores sem emprego formal.

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O professor identificou que nessa região da capital paulista os moradores sofrem com os problemas de desigualdade social, como falta de emprego, discriminação racial e custo de vida alto. Juntos, esses problemas dificultam o tratamento da Covid-19 e de outras doenças relacionadas à má alimentação.

“Quero realmente fazer a diferença na comunidade com uma equipe multidisciplinar. Cerca de 80% das pessoas envolvidas no projeto são negras. A ideia é dar voz e envolver pessoas pretas para que estejam do nosso lado”, detalha.

O professor Wagner Ramalho em sua horta comunitária. (Foto: Marcelo Brandt/Prato Verde Sustentável)
O professor Wagner Ramalho em sua horta comunitária. (Foto: Marcelo Brandt/Prato Verde Sustentável)

A cultura do consumismo criou uma noção errada de que a comida orgânica é cara e inviável para a população de baixa renda, avalia o professor.

“Muitos dos nossos parentes vieram de região rurais e perderam, por conta da pressão do trabalho e do tempo dispensado para ir e voltar do trabalho, o hábito do cultivo dos alimentos. A gente não inventou a roda, a agricultura existe há mais de dez mil anos. O projeto mostra que a horta é um instrumento prático e viável para falar de bem-estar, alimentação saudável e educação ambiental”, lembra.

O projeto também oferece cursos e palestras para empresas e grupos sobre sustentabilidade, hortas comunitárias e economia solidária. Para fortalecer o Prato Verde Sustentável, as doações podem ser feitas pelo PIX: 288880590001-87.