Partido insinua que projeto trata de incesto e autor diz estar “perplexo com insinuação abjeta”

"É revoltante assistir a um parlamentar insinuar que se propõe legalizar o incesto", discursou Orlando Silva após insinuações de colegas sobre artigo de projeto proposto por ele (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

Durante o fim da tarde desta terça-feira (20) na Câmara, deputados foram à tribuna reclamar de um artigo de projeto de lei apresentado pelo deputado paulista Orlando Silva (PCdoB-SP). O projeto do deputado, que prevê o reconhecimento de formação de família mesmo que não haja laços consanguíneos, foi deturpada por colegas, que chegaram a dizer que o projeto tratava de “poligamia e incesto” por causa da redação do texto. O projeto está pautado para ser discutido amanhã (quarta, 21) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Orlando afirmou que a insinuação foi “abjeta” e revoltante.

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Parlamentares do PSC, partido no espectro conservador nos temas de costumes, anunciaram obstrução durante a sessão de hoje em “protesto” ao texto de Orlando. Um dos deputados da sigla, Otoni de Paula (PSC-RJ), afirmou na tribuna da Casa que o projeto trata, implicitamente, de incesto. “Não dá para convencer efetivamente que aqui não está implícita, mesmo que indiretamente, a expressão incesto. Uma das maiores aberrações que uma sociedade pode vivenciar é quando alguém, mesmo que indiretamente, porque não está claro no texto, não deixa explícito que isso possa vir a acontecer ou não. Um pai é um pai, uma mãe é uma mãe e um filho é um filho. O aspecto biológico e científico tem que ser respeitado nesta Casa”, discursou Otoni, que antes - também na tribuna da Casa - havia dito que o colega queria “legalizar a suruba”.

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Orlando Silva respondeu às insinuações - também levantadas pelo deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), que é conhecido por ser pastor e já pertenceu ao PSC - na tribuna. “Quando me referi no texto às relações consanguíneas, isso diz respeito à adoção. É revoltante assistir a um Parlamentar insinuar que se propõe legalizar o incesto, que é um tabu secular, baseado em todas as religiões e civilizações que a humanidade conhece”, protestou.

O artigo contestados pelos deputados conservadores diz que “são reconhecidas como famílias todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade”. Orlando explicou, na tribuna, que sua intenção é “valorizar aqueles que adotam” no país. “Longe de incesto, eu defendo, valorizo e estimulo a adoção”, completou.

Após o discurso de Otoni, Orlando foi visto conversando com o colega. A reportagem procurou o paulista para saber o que os deputados conversaram após os discursos, mas não conseguiu contato.