Projeto joga luz sobre negros e revê perspectiva histórica eurocêntrica

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Superar a história da escravidão como principal marca da trajetória do negro no país têm sido uma tônica daqueles que se dedicam a pesquisar as heranças de origem afro à cultura brasileira. A esse esforço de reconstrução da própria história do país alia-se agora a criação da plataforma digital Ancestralidades.

O projeto, que se dedica a recuperar trajetórias de figuras históricas e redescobrir marcos da cultura negra, foi inaugurado nesta segunda (8), com uma programação de encontros e a formação contínua de pesquisas fomentadas por uma parceria entre a Fundação Tide Setubal e o Itaú Cultural.

O propósito de fazer "um conjunto estruturado de informações sobre as heranças culturais do Brasil" foi marcado por uma live com falas da escritora Ana Maria Gonçalves, da filósofa Sueli Carneiro e do músico Tiganá Santana, que integram o conselho do projeto. Também participou o filósofo Eduardo Oliveira, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

"A história do negro no Brasil vai continuar sendo contada, e cada passo que a gente dá para trás é um passo que a gente avança", diz Márcio Black, idealizador da plataforma, sobre o resgate de figuras ainda encobertas pela perspectiva histórica eurocêntrica imposta pelos colonizadores da América.

A formação dessa coleção abrigará "toda a multiplicidade de contribuições ao patrimônio cultural brasileiro, no campo das artes, da cultura, da ciência e da tecnologia", disse Sueli Carneiro na live que apresentou o projeto nesta segunda (8). A programação completa pode ser conferida aqui.

A série de encontros se reúnem sob o título Bongola, expressão que na língua de tronco africano bantu kimbundu remete a reunião. O compositor e pesquisador Nei Lopes, a cantora Izzy Gordon e o cineasta Joel Zito Araújo são alguns dos nomes que vão entrar na programação de novembro.

A recuperação da história no negro não é uma ação inédita, sublinha Black. "Os movimentos negros já vêm há muito tempo recompondo essas histórias".

Instado a comparar o papel da plataforma com aquele hoje cumprido pela Fundação Palmares, vinculada à Secretaria Especial da Cultura, Black diz que a plataforma começa agora "até para garantir justiça".

"Decisões equivocadas vem sendo tomadas durante este governo [de Bolsonaro]", diz ele, em menção a atual gestão do órgão, comandada por Sérgio Camargo.

São decisões que "travaram a atuação de um espaço governamental que é muito importante, e a plataforma digital pode complementar essa atuação da Fundação Palmares", diz Black.

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