Projeto Mina de HQ divulga histórias em quadrinhos feitas por mulheres

Projeto começou em 2015. Foto: Divulgação

Buscando maior representatividade nas histórias em quadrinhos, desde 2015, o projeto Mina de HQ difunde trabalhos feitos por mulheres, pessoas trans e não binárias. O selo é independente, une pesquisa, curadoria e produção de conteúdo na área. Além disso, a iniciativa também promove cursos e eventos a partir dessas obras para debater gênero, diversidade e direitos humanos por meio da cultura pop.

A idealizadora do projeto é a jornalista Gabriela Borges. Em entrevista ao blog, ela diz que sempre foi leitora de quadrinhos e que sempre dedicou sua carreira para discutir questões importantes para a sociedade. Por conta disso, resolveu juntar seus interesses e criou a Mina de HQ. Até hoje, já foram compartilhados os trabalhos de cerca de 500 artistas em posts diários nas redes sociais.

“Assim como em toda a cultura pop, as mulheres não só gostam de ler HQs como representam uma fatia muito importante deste mercado”, afirma Gabriela usando como exemplo os sucessos de Mulher Maravilha e Capitã Marvel. Segundo ela, existe público e artistas que se interessam pelo assunto, mas que elas continuam invisibilizadas em meio aos homens.

Leia a entrevista completa:

Como veio a ideia de criar a página?

Gabriela Borges: Sou jornalista e mestra em antropologia social. Em 2015, criei a Mina de HQ, um selo independente sobre gênero e representação que une pesquisa, curadoria e produção de conteúdo, organização de cursos e eventos, a partir de histórias em quadrinhos feitos por mulheres, pessoas trans e não binárias.

Você é consumidora dessa arte?

Gabriela: Sempre fui leitora de quadrinhos e, profissionalmente, direcionei meu trabalho a questões de gênero e direitos humanos. No mestrado, fiz uma pesquisa sobre a representação da mulheres nas historietas argentinas. Tudo isso me inspirou a criar a Mina de HQ. O nome veio de uma ideia de mina de pedras preciosas junto a de mina, mulher, menina. Convidei a artista mineira Anna Mancini, a Manzanna, para criar a personagem e o logo.

Como vc seleciona as artistas e obras que irão entrar na página? Quantas HQs já foram publicadas?

Gabriela: Eu sigo mais de 2200 pessoas no Instagram da Mina de HQ, sendo que a maioria são artistas mulheres, trans e não binárias. E vou compartilhando seus trabalhos conforme os assuntos do momento e também o que eu mesma estou sentindo. Desde o lançamento, em 2015, já foram compartilhados os trabalhos de cerca de 500 artistas de diversos países em posts diários nas redes sociais. São mais de 30 mil seguidores entre Facebook, Instagram e Twitter, sendo 80% mulheres.

Existem muitas mulheres fazendo quadrinhos. Por qual motivo elas não são tão conhecidas?

Gabriela: Assim como em toda a cultura pop, as mulheres não só gostam de ler HQs como representam uma fatia muito importante deste mercado. Taí o sucesso da Mulher Maravilha e da Capitã Marvel para provar, apesar de ainda haver pessoas que se surpreendem ao saber que o público feminino também lê quadrinhos, ao mesmo tempo em que as artistas seguem invisibilizadas no mainstream. Mas é importante lembrar que no mainstream, onde está o dinheiro e o reconhecimento mais tradicional, esses trabalhos e essas artistas seguem invisibilizados. Falta um interesse real das editoras brasileiras em publicarem mais mulheres, dos prêmios em reconhecerem esses trabalhos, dos eventos em chamar as artistas para mesas que não sejam só sobre a perspectiva feminina.

O objetivo da página é difundir esses trabalhos?

Gabriela: A Mina de HQ é um trabalho totalmente independente e conta com uma campanha de financiamento contínuo coletivo: http://apoia.se/minadehq. Essa é uma iniciativa para mostrar a quem quiser ver a quantidade enorme de mulheres, assim como pessoas trans e não binárias, que fazem quadrinhos, a variedade de estilos e temas abordados, e a qualidade desses trabalhos.

Quais artistas que têm um trabalho importante nesse sentido? Indicaria algumas para o público?

Gabriela: Raquel Segal (@aqueleeitaoficial), Maíra Colares (@mairadraws), Fabiane Lagona (@chiqsland), Germana Viana (@germana_viana_comics), Helô D’Angelo (@helodangeloarte), Jéssica Groke (@jessicagroke), Aline Zouvi (@alinezouvi), Lila Cruz (@colorilas), Dika Araújo (@dikaraujo) e Lovelove6 (@odiozinho).

Tem sugestões ou denúncias? Mande um e-mail para giorgia.cavicchioli@gmail.com.