Projeto oferece cursos de idioma grátis para pessoas trans

Imagem mostra grupo diverso que formava a primeira turma do projeto. Foto: Arquivo pessoal.
Imagem mostra grupo diverso que formava a primeira turma do projeto. Foto: Arquivo pessoal.

Era início de 2015 e o professor de inglês Paolo Capistrano começou a se questionar o que ele poderia fazer para ajudar a população trans a ter mais chances de se inserir no mercado formal de trabalho.

Ao blog, ele afirma que queria usar seu privilégio para melhorar a vida de outras pessoas, mas sem roubar o protagonismo da luta das pessoas trans. Sendo homem cisgênero e gay, ele não queria invadir esse espaço, mas queria ajudar.

Foi assim que ele chegou na conclusão de que ele poderia oferecer cursos de inglês de graça para pessoas trans e travestis. Dessa forma, nasceu o English to Trans-form, para que esse grupo tivesse um local seguro e respeitoso para que pudesse aprender com tranquilidade.

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Em entrevista ao blog, Paolo afirma que o começo do projeto foi difícil. Ele precisava de um espaço para dar as aulas, mas ele conta que foi extremamente complicado fazer com que alguém cedesse um local para o projeto.

“Sempre que eu falava que era um projeto para pessoas trans e travestis, as pessoas fechavam as portas”, afirma Paolo dizendo que as justificativas dos locais para não dar o espaço eram estereótipos transfóbicos que as pessoas tinham sobre a população.

Após cerca de seis meses de busca, ele finalmente achou um local que pertencia à prefeitura de Osasco para realizar suas aulas. Na época, ele convidou uma colega e as aulas começaram a ser dadas por ele e pela amiga.

Inicialmente, eles disponibilizaram 20 vagas para aulas aos sábados de tarde. No início foram 10 pessoas trans que entraram no curso. As outras vagas, então, foram abertas para pessoas que não eram trans ou travestis.

Por cerca de um ano e meio, as aulas foram um sucesso, até que a nova gestão da prefeitura de Osasco encerrou as atividades da coordenadoria que abrigava o projeto. Mas ele não podia acabar. Paolo diz que começou a notar o quanto o curso estava mudando a realidade dos alunos e alunas dele.

Procurando um novo local para oferecer as aulas, ele encontrou o acolhimento que precisava na Casa 1, uma ONG (Organização Não Governamental) que acolhe pessoas LGBTs que foram expulsas de casa por conta do preconceito.

No local, também são oferecidos vários cursos para a comunidade, o que abriu espaço para o projeto de Paolo. Então, o projeto aumentou de forma impressionante: de uma turma, o curso agora tinha seis turmas na Casa 1. Mais professores entraram no projeto e mais alunos foram contemplados com as aulas.

Com a parceria, ficou estabelecido que as turmas teriam como prioridade acolher pessoas trans e travestis e moradores da Casa 1. Seguidas por pessoas negras, mulheres lésbicas e bi, homens gays e bi e, por último, pessoas brancas cis e hétero.

Hoje, as aulas acontecem no galpão da Casa 1, todos os níveis de inglês são oferecidos e Paolo, idealizador da iniciativa, se tornou coordenador do projeto. Além disso, o professor afirma que também foram abertas turmas de espanhol, português para estrangeiros e voltadas para crianças e adolescentes.

“A gente tem casos de alunos e alunas que nos contam o quanto, de fato, o simples fato de elas cursarem inglês ou espanhol as beneficia. Você já tem mais oportunidades. Além de pessoas que conseguiram um emprego por ter conseguido aprender o idioma”, comemora.

Para o futuro, o projeto quer oferecer aulas de francês e alemão. Mas, para realizar esse e outros projetos ainda maiores, é necessário que mais pessoas sejam voluntárias no grupo. Paolo afirma que os professores não precisam ser formados, só precisam ter uma proficiência no idioma e amor pela luta LGBT.

“A gente sempre tem necessidade de professores voluntários para todos os idiomas. Quem quiser se voluntariar, pode entrar em contato com a gente pela nossa página nas redes sociais”, explica Paolo dizendo que as pessoas também podem ajudar com doações de materiais.

Um processo seletivo é realizado com aqueles que querem ser professores e eles também fazem um curso para padronizar as aulas. Assim, todos que se sentirem animados para oferecer uma ajuda podem participar. As matrículas para os cursos também são disponibilizadas nas páginas do English to Trans-form e da Casa 1 nas redes sociais.

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