Projeto pretende transformar em boulevard calçadas da Paulista, em SP

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.10.2022 - Trecho sem árvores e sem sombra na avenida Paulista, na região central de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.10.2022 - Trecho sem árvores e sem sombra na avenida Paulista, na região central de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo formado por técnicos da Prefeitura de São Paulo e representantes de associações privadas discute a formulação de um projeto para transformar a avenida Paulista em um enorme boulevard, com a distribuição de grandes vasos pelas calçadas com árvores ornamentais plantadas.

A meta é que o projeto seja apresentado ainda em novembro na Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), e que possa ser iniciado em 2023. Se colocado em prática, ele será bancado pela iniciativa privada.

Apesar de as reuniões semanais ocorrerem a cerca de dois meses, a instituição oficial do grupo de trabalho, chamado de "Paulista + Verde", ocorreu com uma publicação no último sábado (23) no Diário Oficial da Cidade.

O grupo interinstitucional tem representantes da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (da prefeitura), do Conselho Feminino da Fiesp, Instituto Virada Feminina, Associação Paulista Viva, Instituto Sociocultural Brasil China, Instituto Espinhaço e sindicatos rurais.

De acordo com o secretário Antonio Fernando Pinheiro Pedro, os vasos gigantes, alguns até com bancos ao lado para as pessoas sentarem, serão instalados ao longo dos cerca de 3 km da avenida na região central de São Paulo.

Neles serão plantadas árvores de pequeno e médio porte, que floresçam em pouco tempo. O jacarandá é um exemplo citado.

"Pensou-se em ipê, mas além de ter dificuldade em florescer por causa do tamanho necessário de vaso, há uma demora muito grande, de 30 anos", afirma o titular da pasta municipal.

Os vasos devem receber árvores com copas de aproximadamente 4 metros de diâmetro e que floresçam para mudar o visual sem sombra da avenida badalada, que aos domingos recebe multidões quando é fechada aos carros, além de manifestações e comemorações que enchem seus quarteirões.

O plantio de árvores em vasos, e não no chão ocorre, segundo Pedro, pelo "oco" do subsolo da Paulista, onde há grande concentração de cabos, tubulações e até metrô.

O projeto sustenta que a Paulista, apesar de estar em um ponto elevado que divide as principais bacias que compõem as calhas dos rios Tietê e Pinheiros, configura hoje uma ilha de calor, em virtude de sua aridez construtiva.

"Necessita contar com soluções de arborização condizentes com seu estado arquitetônico e urbanístico", afirma o texto de instituição do grupo no Diário Oficial.

"Temos uma ilha de calor sobre a região metropolitana, mais concentrada no vetor leste-oeste e mais amena no norte-sul, onde estão as áreas de mananciais. A Paulista está no centro disso, porque é o espigão central da cidade", afirma Pedro.

Por ser mais elevada, a avenida poderia ser mais fresca, mas não é por se tratar de uma 'caixa de concreto’, diz o representante da prefeitura.

O projeto ainda está em fase de propostas iniciais. Mas já se sabe, por exemplo, que os vasos serão de concreto biodegradável. E terão de ser "instagráveis", ou seja, atrativos para fotos de turistas.

Eles serão colocados de maneira que não interfiram com a passagem de pedestres nem com a entrada e saída de veículos dos imóveis.

Pedro diz que não é possível orçar o custo do projeto nesta fase de estudos, pois ainda não se sabe quantos vasos serão plantados.

"Vamos apresentar [o projeto] primeiro para as três subprefeituras responsáveis por trechos da avenida Paulista e depois para uma comissão responsável por calçadas", afirma.

A proposta é que seja todo custeado pela iniciativa privada, inclusive a manutenção. O grupo afirma já estar conversando com representantes do mercado financeiro.

"Tem todo um detalhamento que precisará ser feito, mas serão mudas postadas para fazer da Paulista uma grande área florida", afirma Pedro.

A avenida, com 130 anos de história, conta com dois parques, Trianon e Mário Covas.

Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o primeiro tem 48.600 m² de área remanescente de Mata Atlântica de e sub-bosque com espécies nativas e exóticas.

Já o segundo conta com 5.396 m² com cobertura de bosque heterogêneo com sub-bosque ornamental.

Ao todo, a região da Sé, onde fica a Paulista, tem 22 mil das 650 mil árvores plantadas, segundo mapeamento arbóreo de 2015.

"O Plano Municipal de Arborização Urbana, instrumento que define o planejamento e a gestão da arborização no município, está em fase de implementação e prevê a elaboração e disponibilização do inventário arbóreo do município até dezembro de 2024", afirma a pasta.

Um projeto semelhante ao da Paulista, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo, deverá ser desenvolvido no triângulo histórico do centro, circundado pelas ruas Boa Vista, Líbero Badaró e Benjamin Constant, onde a prefeitura vai trocar as pedras portuguesas dos calçadões por concreto, em obras que só devem ser finalizadas em 2024.

Como no caso da Paulista, o projeto técnico do centro ainda não está pronto, por isso, não há orçamento.