Projeto prevê restringir pesca na Praia Vermelha, berçário de tartarugas

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A Praia Vermelha, um dos mais belos cartões-postais do Rio, deve ganhar um reforço em sua preservação. A Secretaria municipal de Meio Ambiente está em fase final de elaboração do decreto que criará nesse recanto da cidade o Santuário Marinho da Paisagem Carioca. A medida vai ordenar as atividades na água e restringir a pesca, além de fomentar a pesquisa sobre a biodiversidade local, que tem, como um dos destaques, a presença das tartarugas.

Em 2013, já tinha sido criado o Parque Natural Municipal (PNM) Paisagem Carioca, que abrange a costa do lado direito da praia. Por lei, a unidade de conservação veda a pesca em um limite de até 50 metros de distância do costão rochoso, no mar. Do lado oposto da enseada fica o Monumento Natural (MoNa) do Pão de Açúcar. Por isso, toda a Praia Vermelha fica na Área de Proteção Ambiental (APA) Paisagem Carioca, o que demandaria controle de atividades na água. As regras, no entanto, nunca foram devidamente regulamentadas.

A ideia de concretizar a preservação marinha veio do jornalista e instrutor de mergulho Caio Salles, fundador do Projeto Verde Mar. Desde 2016, ele faz mergulhos na Praia Vermelha e organiza mutirões de limpeza subaquática. Foi assim que ele constatou que a maior parte dos detritos no fundo do mar é material de pesca, como linhas, restos de rede, anzóis e até vela de ignição de automóveis.

Financiamento coletivo

Mas só limpar esse fundo, diz ele, seria “enxugar gelo”. Por isso, sua ideia inclui diretrizes de comunicação, educação ambiental e pesquisa.

— Passei a conversar com pescadores e frequentadores e percebi que quase ninguém sabia que ali era uma área marinha protegida. Então, pensamos em como mitigar o problema — explica Salles, que se uniu a Marcelo Andrade, gestor do PNM Paisagem Carioca, para elaboração do projeto. — A preservação vai, inclusive, ajudar a pesca fora dos limites do parque, porque mais espécies vão se desenvolver nesse berçário antes de saírem para mar aberto.

A prioridade, afirma Andrade, é a colocação de placas de sinalização do santuário e das regras na areia e na costa. Além de proibir a pesca industrial, o decreto pode ajudar a ordenar o fluxo de jetskis e outras embarcações na enseada.

O passo seguinte é a busca de apoio e patrocínio para pesquisa. Salles vai lançar uma plataforma de financiamento coletivo de quatro linhas de monitoramento: das espécies de peixes; da quantidade de lixo no mar; dos organismos bentônicos (que ficam no fundo do mar ou junto à costa rochosa); e das tartarugas, o que seria conduzido pelo Projeto Aruana, que faz trabalho semelhante nas Cagarras, em parceria com o Ilhas do Rio.

Na SMAC, o projeto vem sendo tocado pelo Núcleo de Vida Marinha, lançado em junho. A minuta do decreto está em análise pelo setor jurídico, uma das etapas finais do processo.

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