Projeto que libera compra de vacinas por empresas sai de pauta da Alerj

Ludmilla de Lima
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RIO - O projeto de lei que permite empresas comprarem vacinas e abrirem suas portas mesmo em períodos de lockdown, desde que seus funcionários estejam imunizados, foi retirado da pauta da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a pedido do próprio autor, o deputado estadual Noel de Carvalho (PSDB). A votação da proposta, considerada equivocada por especialista em saúde pública, acabou adiada porque o deputado, que está com Covid-19, "gostaria de discutir e defender" o projeto em plenário, como informou sua assessoria de imprensa.

De acordo com nota do seu gabinete, Noel está bem, isolado em casa, em Engenheiro Passos, distrito de Resende. O texto prevê que pequenos e médios estabelecimentos façam consórcio para a compra dos imunizantes junto às indústrias farmacêuticas ou empresas de grande porte, o que vai em direção contrária do cronograma do Plano Nacional de Imunização (PNI). O deputado defende que essa permissão aceleraria a vacinação do estado e contribuiria para a economia fluminense.

-O projeto prevê apenas restrições de funcionamento, ou seja, as empresas que vacinarem seus funcionários não vão precisar mais fechar quando for decretado lockdown - defendeu Noel na divulgação do projeto, que não descarta o uso de máscaras e álcool em gel pelas empresas que tiverem seus funcionários vacinados.

Sanitarista e professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, Mario Roberto Dal Poz chama o projeto de "equivocado e confuso", além de "fantasioso".

- Essa ideia de passaporte para vacinados ainda está discussão na Europa e junto à Organização Mundial de Saúde. Não há consenso científico sobre isso - afirma o professor, explicando. - E isso de empresas comprarem vacinas não existe em lugar nenhum do mundo, nem nos países mais capitalistas e individualistas como os Estados Unidos. Isso é atividade de saúde pública, coletiva, típica de governo, que é quem se responsabiliza pela saúde da população.

Dal Poz deixa uma sugestão ao deputado:

-Se ele quer ajudar mesmo as empresas a produzirem, poderia dizer: as empresas devem buscar buscar seus empregados em casa, para evitar que se contaminem no transporte público, e criar revezamento entre os funcionários.

Em nota, a assessoria de Noel de Carvalho afirma que o deputado "quer ampliar a discussão e promover um debate sobre o projeto com representantes da sociedade, indústria e comércio que solicitaram uma audiência pública". O assunto, diz o comunicado, será levado à Comissão de Economia, Indústria e Comércio. O projeto de lei vai ser republicado com coautoria dos deputados Alexandre Freitas (Novo) e Marcio Canella (MDB).