Projeto usa biotecnologia para dissolver lodo de lagoa em Niterói

De março a julho deste ano, pesquisadores da pós-graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra, da UFF e da Biotecnologia Ambiental (Biotecam), da UFRJ, testaram duas tecnologias para dissolver de forma orgânica o lodo do fundo da Lagoa de Piratininga. Para isso, foram selecionadas duas áreas de 20m² no extremo oeste da lagoa. Os dados revelaram que houve redução média de 15 centímetros de sedimento. O estudo foi contratado pelo programa Pro Sustentável, da prefeitura de Niterói, que graças ao resultado satisfatório renovou o experimento por mais seis meses, para que a equipe possa atestar a biorremediação em outros pontos do sistema lagunar.

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A professora da UFF Mirian Crapez, doutora em bioquímica e biologia celular, relembra que os estudos preliminares das águas da lagoa revelaram alta concentração de nitrogênio ocasionada pelo aporte de esgoto doméstico no sistema. Mas a combinação das tecnologias biológicas EM1, do Japão, e Pulmão, desenvolvida pela Biotecam, mostraram eficiência no consumo do material encontrado no fundo da lagoa.

— Ocorreram mudanças quali-quantitativas na composição da matéria orgânica, com consumo de lipídio, que é um produto bastante presente no esgoto doméstico. Ele é muito difícil de ser consumido de maneira natural, por não fazer parte do ambiente em que está sendo descartado. No entanto, esperávamos um resultado mais lento. Usamos também bactérias do próprio lodo. Introduzimos estes dois agentes para auxiliar os microrganismos do local — explica.

A intenção da prefeitura é que o experimento que demonstrar mais eficiência na remoção da camada de lodo seja contratado para acelerar a recuperação da Lagoa de Piratininga. Ainda de acordo com a prefeitura, cabe observar que, com o sistema do jardim filtrante do Cafubá já em funcionamento, as águas da bacia do Rio Cafubá já estão entrando translúcidas e sem cheiro na lagoa.

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