Prometer mudança sem maioria é conversa fiada, diz Alckmin sobre centrão

Futura Press

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu sua aliança com o centrão, bloco formado por partidos com líderes investigados.

"Precisa ter maioria para fazer as mudanças de que o Brasil precisa. Quem prometer mudança sem construir maioria é conversa fiada. Ou vamos continuar nesse marasmo ou vamos fazer reforma", afirmou nesta quarta-feira (29), no Jornal Nacional. 

Ele então prometeu fazer a reforma política como primeira medida do governo para reduzir o número de partidos, defendeu o voto facultativo e distrital. 

"Em São Paulo, o secretário da Justiça do meu governo era do PTB, Marcio Elias Rosa, ex-procurador-geral do Ministério Público de São Paulo. Todos os partidos têm bons quadros", afirmou.

Coligado também nacionalmente com o tucano, o PTB teve sua cúpula denunciada por suspeita de venda de registro sindical em um esquema no Ministério do Trabalho.

A apresentadora Renata Vasconcellos lembrou que, em 2006, o tucano afirmou que, "em política, é importante diga-me com quem andas que te direi quem és" e o questionou sobre uma aliança com Fernando Collor -o PSDB se aliou ao PTC do ex-presidente apenas em Alagoas, mas não nacionalmente.

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Alckmin tentou interrompê-la, mas, diante da insistência dela, ele esperou para responder.

"O PTC não me apoia, ele apoia outro candidato. A minha coligação tem oito partidos, não está o PTC", corrigiu. 

Confrontado sobre correligionários como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), réu na Lava Jato por corrupção, e o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que está preso, Alckmin defendeu as investigações.

"Não passamos a mão na cabeça de ninguém", respondeu. "Quem errou paga pelo erro, quem for absolvido será absolvido."

William Bonner perguntou por que, na condição de presidente do PSDB, não recomendou a expulsão dos tucanos.

"Eduardo Azeredo já está afastado há muito tempo, ele vai sair do PSDB, não precisa nem expulsar", disse. "Aécio Neves foi afastado da presidência do partido."

"Quem está nos assistindo quer que haja investigação, transparência. Puna quem deve ser punido e absolva quem deve ser inocentado. Defendo a Lava Jato", resumiu.

Questionado sobre a citação de seu nome em delação da Odebrecht,  tucano falou na necessidade de "separar o joio do trigo" e disse que o relato do delator não procede.

Bonner perguntou por que a delação que atinge adversários é válida e a delação que o atinge não. 

"Não sou eu que digo que é verdade, é a Justiça que está dizendo, vamos respeitar a Justiça", respondeu o tucano.

Alckmin voltou a dizer que é injusta a prisão de Laurence Casagrande, ex-presidente da Dersa (companhia do estado que administra rodovias) e ex-secretário de Transportes de seu governo.

"Espero que amanhã, quando ele for inocentado, tenha o mesmo espaço se for absolvido. É uma pessoa correta", afirmou.

Questionado sobre obras paralisadas no Metrô de São Paulo, o ex-governador disse que ampliou as estações.

"Peguei o governo com 60 estações de metrô. Vou entregar com 89, mesmo em um momento de crise", respondeu.

Ele ainda disse que mais quatro estações serão abertas nesta sexta (31), todas na linha 5-Lilás: AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin.