Prometido para dezembro, desconto de R$ 4 na integração ônibus-barca não está valendo

Lívia Neder
Passageiro embarcam na Estação Arariboia

NITERÓI - Usuários das barcas que esperavam começar a semana economizando R$ 4 em cada viagem da integração com ônibus municipais de Niterói se frustraram ao perceber que o desconto prometido pela prefeitura para dezembro ainda não está em vigor. O benefício só começa a valer depois de ser aprovado pela Câmara dos Vereadores, mas não há previsão para que o projeto seja votado.

Morador do Fonseca, Wemerson Francisco se disse desapontado. Ele viaja de segunda a sexta-feira na linha 49 até a Praça Araribóia e, de lá, pega a barca para a Praça Quinze, perto de onde trabalha:

— Pelo que entendi e acho que todos entenderam, o desconto anunciado pela prefeitura já começaria no dia 1º, mas continuo pagando tanto a passagem do ônibus quanto a das barcas. Uma medida dessa que impacta tanto no bolso do cidadão deveria ser anunciada de forma mais clara, até para não deixar os usuários numa eterna expectativa eterna. Saio de casa sem saber se terei o desconto ou não.

No dia 21 de novembro, o prefeito Rodrigo Neves e o governador Wilson Witzel anunciaram o desconto de R$ 4 para o passageiro que pegar um ônibus municipal (R$ 4,05) e depois a barca (R$ 6,30). Assim, pagará apenas R$ 6,35 pela viagem nos dois modais, em vez dos R$ 10,35 atuais. O desconto também será válido para quem usa o Bilhete Único.

Questionada nesta quarta-feira sobre a data da entrada em vigor do benefício, a prefeitura, por nota, reiterou que ele “começará a valer a partir de dezembro. Antes, a Câmara Municipal terá votar o projeto de lei que institui o desconto em plenário, já que é a prefeitura de Niterói que vai subsidiar o desconto. Só então será divulgado quando o benefício entra em vigor”.

Confiante que tem a maioria na Casa para aprovar a proposta, o prefeito Rodrigo Neves deve encontrar resistência da oposição que, embora se diga a favor da medida, afirma que pedirá uma audiência pública para discutir a cessão do subsídio, que terá um impacto orçamentário nos cofres do município de R$ 45,3 milhões até 2021. O vereador Paulo Eduardo Gomes afirma que está estudando detalhes do projeto com o deputado estadual Flavio Serafini, ambos do PSOL:

— Não somos contra a proposta, mas o prefeito anunciou um subsídio sem que a Câmara tivesse sido consultada, e essa aprovação ainda depende de diversas informações complementares. Além de gerar frustração na população mostra o desrespeito com o Legislativo.

Paulo Eduardo lembra ainda que o governo do estado precisa garantir a viabilidade da tarifa social, que já é uma lei estadual, no catamarã de Charitas.

— É essencial também que o município controle a utilização dos subsídios e não as empresas, como infelizmente ainda ocorre com as gratuidades de estudantes e pessoas com deficiência, calculadas livremente pelos empresários de ônibus — concluiu o vereador.

USUÁRIOS DAS BARCAS RECLAMAM DO SERVIÇO

Enquanto o desconto não chega, reclamações sobre a qualidade do serviço prestado pela CCR Barcas viraram uma constante nas redes sociais: queixas de barcas lotadas em horários de pico, filas extensas, atrasos nas saídas e embarcações sem climatização são algumas delas:

“Quanto mais cedo, mais lotada. Pagamos R$ 6,10 para viajar desconfortável, sem ar-condicionado, sem iluminação, limpeza precária e segurança duvidosa. Viajo quase diariamente, desde 2002, neste transporte, e o serviço tem piorado muito”, relatou uma usuária nas redes sociais, na última segunda, ao postar a foto da embarcação lotada.

Em nota, a CCR Barcas diz que “toda a frota passa por manutenção periódica para evitar ocorrências e que realiza consertos imediatos. Ainda assim, eventuais problemas podem vir a ocorrer”.

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