Promotoria abre inquérito para investigar morte de jovem obeso em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Promotoria de Saúde Pública de São Paulo instaurou inquérito nesta segunda-feira (9) para investigar a morte de um jovem obeso que ficou ao menos quatro horas à espera de atendimento dentro de uma ambulância por falta de maca especial em hospitais públicos.

Em portaria de instauração do inquérito, o promotor Arthur Pinto Filho classificou a situação como grave e deu prazo de dez dias para as secretarias municipal e estadual de saúde e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Perus, na zona norte da capital, prestarem esclarecimentos.

O pedido inclui informações sobre as instituições de saúde em São Paulo que dispõem de macas especiais para atender pessoas obesas.

Vitor Augusto Marcos de Oliveira sofreu três paradas cardíacas, de acordo com a família, e só foi levado para dentro de uma das unidades depois de morrer.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde lamentou o ocorrido e informou que apura a situação para que sejam tomadas as devidas providências. O caso é investigado pelo 72º DP (Vila Penteado) como morte suspeita e omissão de socorro.

A prefeitura disse que o jovem deu entrada na UPA Perus na manhã de quarta-feira (4) e, com a piora de sua condição, que demandava cuidados hospitalares, ele foi transferido para uma unidade do estado.

O paciente foi levado de carro por um amigo para a UPA Perus por volta das 10h de quarta, de acordo com sua irmã, Williane da Silva de Oliveira, depois de sentir dores nas pernas.

"Tinha feito muito exercício na piscina. Ele entrou andando, mas estava com a saturação baixa e colocaram ele no oxigênio", disse.

De acordo com ela, ele pesava 190 quilos, e a equipe médica da UPA achou melhor realizar a transferência para um hospital com mais recursos, na tarde de quinta.

Por falta de equipamento especial, de acordo com a família, ele teria sido levado no assoalho da ambulância até o Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, da rede estadual, também na zona norte.

De lá, após esperar por três horas no veículo, ele foi levado para o Hospital de Taipas, também do estado, onde aguardou mais uma hora e meia uma maca especial por causa do peso dele.

"O pessoal da ambulância fez o que pôde, mas o oxigênio acabou e ele teve três paradas cardíacas. Só depois disso que o levaram para dentro da UTI do hospital, mas ele já estava morto. Nos informaram 30 minutos depois", disse a irmã.

Em nota, a secretaria estadual afirma que a definição de prioridade dos casos é feita pelos municípios de origem dos pacientes. Questionada na sexta (6) sobre o número de macas para atender pacientes com obesidade nos hospitais de Taipas e Vila Nova Cachoeirinha, a pasta declarou apenas que "as duas unidades citadas dispõem de mobiliário para o atendimento de paciente com comorbidades, incluindo obesos".

A secretaria acrescenta que instaurou uma "sindicância para investigar o caso de forma rigorosa". "Diante de quaisquer irregularidades os responsáveis serão penalizados com todas as medidas cabíveis", declarou a pasta.