Promotoria aponta crescimento de 'folha de pagamento secreta' em gestão Cláudio Castro

*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 27.02.2019 - O vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), em seu gabinete no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Até meados do ano passado, Cláudio era um cantor religioso, membro da Renovação Carismática da Igreja Católica. Cláudio tem sob sua responsabilidade o Detran, DER e Conselho Estadual de Trânsito. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 27.02.2019 - O vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), em seu gabinete no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Até meados do ano passado, Cláudio era um cantor religioso, membro da Renovação Carismática da Igreja Católica. Cláudio tem sob sua responsabilidade o Detran, DER e Conselho Estadual de Trânsito. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Ministério Público do Rio de Janeiro identificou um crescimento exponencial neste ano eleitoral no pagamento de funcionários que faziam parte de uma "folha de pagamento secreta" em projetos sociais da gestão Cláudio Castro (PL), candidato à reeleição.

De acordo com dados repassados pelo Bradesco aos promotores que investigam o caso, as ordens bancárias para pagamentos de pessoas contratadas por uma fundação estadual subiu de R$ 13 milhões em janeiro para R$ 69,1 milhões no mês passado.

Segundo o MP-RJ, 91% do pagamento este ano ocorreu por meio de saques na boca do caixa, o que foi considerado uma "afronta às normas de prevenção à lavagem de dinheiro". A Promotoria solicitou na Justiça a interrupção do pagamento de pessoas contratadas por meio de ordens bancárias. Há a suspeita de uso político do projeto e de desvio de recursos.

O escândalo da "folha de pagamento secreta" foi revelado numa série de reportagens do UOL publicada ao longo do mês passado, indicando o uso da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio de Janeiro) para o pagamento de funcionários de projetos sociais sem a divulgação de seus nomes.

Os pagamentos eram feitos por meio de ordens bancárias emitidas em nomes dos funcionários dos projetos e pagas na boca do caixa das agências do Bradesco.

Em nota, o Ceperj afirmou que ainda não foi notificada sobre a ação civil pública, mas que cumprirá as exigências apresentadas pelo órgão. "A Fundação reforça que está à disposição dos órgãos de controle e judiciais". Procurado, Castro não comentou o caso.

O Bradesco informou à Promotoria que, do total de R$ 248 milhões pagos este ano para os funcionários dos projetos sociais tocados pelo Ceperj, R$ 226 milhões foram sacados imediatamente nas agências. Reportagem da TV Globo afirmou que os recursos em espécie eram repassados aos dirigentes da fundação, num esquema de "rachadinha".

O Ceperj é um órgão voltado para a capacitação e a formação de servidores públicos. Mas, a partir do segundo semestre do ano passado, passou a ser usado para a contratação de mão de obra para projetos de outros órgãos estaduais.

Neste período, a fundação passou a atuar em 12 ações do governo, sendo as principais o Esporte Presente e a Casa do Trabalhador. No total, segundo o MP-RJ, 27 mil pessoas foram contratadas para essas ações, sem qualquer transparência.

Após a divulgação das reportagens e abertura de investigação pelo MP-RJ, a fundação publicou em seu site nomes dos contratados para o Esporte Presente, apontado como o maior deles.

De acordo com o MP-RJ, há casos de contratados que receberam até 18 pagamentos este ano. O maior beneficiário fez 14 retiradas em 2022 totalizando R$ 122,8 mil.

Segundo o MP-RJ, uma agência do Bradesco em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, foi a campeã de saques este ano: R$ 12,1 milhões. A unidade chegou a realizar retiradas em espécie de R$ 536 mil em um único dia em junho deste ano.

As outras agências que lideram a lista de retiradas estão em Nova Iguaçu (R$ 7,1 milhões), Barra Mansa (R$ 5,1 milhões), Duque de Caxias (R$ 5 milhões), Bangu, na capital (R$ 4,5 milhões) e Volta Redonda (R$ 4,1 milhões).

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