Lojas são saqueadas após protesto opositor perto de Caracas

Caracas, 12 abr (EFE).- Pelo menos 14 lojas foram saqueadas na cidade venezuelana de Guarenas, no estado de Miranda e próxima a Caracas, depois que um grupo de pessoas invadiu nesta quarta-feira um shopping da área.

Segundo constatou a Agência Efe, uma sapataria, uma joalheria, salões e uma agência de loteria do Centro Comercial Miranda foram alguns dos estabelecimentos mais afetados, enquanto uma padaria e um supermercado, dentro do mesmo shopping, não sofreram os ataques dos saqueadores.

As pessoas invadiram o local de madrugada "atacando" os seguranças e danificando as principais entradas, disse à Efe Freddy Chirinos, encarregado de uma sapataria do local.

Embora tenha sido um fato isolado em relação ao resto do país, a invasão coincidiu com o término de um protesto opositor ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que aconteceu na mesma área e que acabou com o fechamento de uma rua próxima.

Chirinos, que também reside na cidade, declarou à Efe que não poderia assegurar que quem saqueou as lojas eram manifestantes, mas sim "que eram pessoas que de alguma maneira estavam interessadas em que este tipo de situação acontecesse".

No entanto, Perla Molina, vizinha do shopping, garantiu que eram manifestantes e explicou à Efe que viu quando a manifestação acabou e que, após a retirada das forças de segurança, "começou o saque".

No local estavam presentes hoje uma dezena de funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), mas nem eles nem outras autoridades apresentaram até o momento uma versão oficial do incidente.

O governador de Miranda, o opositor Henrique Capriles, usou o Twitter para condenar estes atos de violência em Guarenas e afirmou que a "luta" é em defesa da Constituição, e que estas ações são promovidas pelo governo para "desvirtuar razões legítimas do povo".

"O madurismo e seus grupos paramilitares estão saqueando lojas para desvirtuar protestos legítimos em defesa da Constituição! Alerta!", escreveu.

A oposição venezuelana convocou manifestações em todo o país contra o que considera um "golpe de Estado" dado pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) por ter emitido sentenças nas quais este assumia as funções do parlamento.

Embora estas sentenças tenham sido parcialmente suprimidas dias depois, a oposição assegura que se manterá nas ruas protestando pacificamente.

As manifestações antigovernamentais deixaram até o momento pelo menos um morto e dezenas de detidos e feridos. EFE