Promotoria pede 30 anos de prisão para ruandês acusado de genocídio na Bélgica

O ruandês Fabien Neretsé fotografou em 4 de novembro de 2019 em Bruxelas. A promotoria exigiu 30 anos de prisão contra os acusados de "genocídio" em Ruanda em 1994

A Promotoria pediu nesta sexta-feira uma pena de 30 anos de prisão contra Fabien Neretse, ex-alto funcionário ruandês declarado culpado de "crime de genocídio" em um tribunal de Bruxelas.

"Observem a gravidade extrema dos fatos, a vontade de exterminar o outro", disse o promotor Arnaud d’Oultremont aos jurados, que devem se pronunciar sobre a sentença nas próximas horas.

Fabien Neretsé, um hutu de 71 anos, se tornou na quinta-feira o primeiro ruandês declarado culpado de genocídio na Bélgica.

A acusação de "crime de genocídio" é baseada no fato de ter atacado um número indeterminado de pessoas pelo desejo de "destruir" a etnia tutsi.

Neretsé também foi condenado por nove "crimes de guerra" cometidos em Kigali em abril de 1994 e outros dois cometidos semanas mais tarde em zonas rurais.

O acusado se declarou inocente.

"Insiste em negar a história", lamentou o promotor.

Seu comparecimento ao tribunal se deve em grande parte à determinação de uma cidadã belga, Martine Beckers, cuja irmã, cunhado tutsi e sobrinha de 20 anos foram assassinadas em 9 de abril de 1994 em Kigali ao lado de vizinhos tutsis.

Neretsé era um de seus vizinhos na capital de Ruanda. A acusação afirma que ele contratou homens armados para impedir que moradores da área procurassem abrigo quando o massacre teve início na cidade.

O condenado foi detido em 2011 na França, onde retomou a vida profissional e tinha o status de refugiado.