Promotoria pede dois anos de prisão com sursis para ex-secretária de campo nazista

Dois anos de prisão com sursis foram exigidos nesta terça-feira (22) na Alemanha contra uma ex-secretária de um campo de concentração nazista, em um dos últimos julgamentos deste período da história do país.

Irmgard Furchner, de 97 anos, acusada de cumplicidade em assassinatos em mais de 11 mil casos no campo de concentração de Stutthofs, na atual Polônia, está sendo julgada desde setembro de 2021 no tribunal de Itzehoe, no norte da Alemanha.

Em uma entrevista concedida em 2019 ao jornal NDR, a ex-secretária disse que "não sabia de nada" sobre os massacres cometidos no campo.

Em uma carta enviada antes da primeira audiência, a acusada declarou ao juiz de instrução que não desejava comparecer pessoalmente ao tribunal.

No dia da primeira audiência, ela entrou em um táxi e desapareceu por algumas horas, até ser encontrada. Colocada em prisão preventiva, a idosa foi liberada uma semana depois.

A acusada, que tinha entre 18 e 19 anos na época dos fatos, trabalhava como datilógrafa e secretária do comandante do campo de concentração, Paul Werner Hoppe, e ocupava um cargo "de importância essencial" no sistema desumano do campo, disse a promotora Maxi Wantzen, nesta terça-feira.

Em cadeira de rodas, Irmgard Furchner ouviu os argumentos da promotora sem dizer uma palavra.

Wantzen afirmou aos juízes que o trabalho administrativo de Furchner "garantiu o bom funcionamento do campo" e dava a ela "conhecimento de todos os eventos e acontecimentos em Stutthof".

Além disso, "as condições de risco de vida", como escassez de alimentos e água e a disseminação de doenças mortais, como o tifo, foram mantidas intencionalmente e eram evidentes, enfatizou.

Wantzen destacou que, apesar da idade avançada da ré, "ainda é importante realizar um julgamento desse tipo" para manter o registro histórico à medida que os sobreviventes morrem.

A promotora lamentou que a ex-secretária não tenha se pronunciado no tribunal sobre as acusações, acrescentando que tinha o direito de permanecer em silêncio.

Segundo seu advogado, Wolf Molkentin, ela não nega o Holocausto e os crimes nazistas.

Ele disse à AFP que não ficou surpreso com a sentença exigida pela Promotoria.

"Essa é a sentença máxima de prisão com sursis que alguém pode reivindicar", disse.

"Ela não falou e não vai falar, que eu saiba", acrescentou seu advogado à AFP.

Em Stutthof, um campo de concentração perto da cidade de Gdansk - onde morreram cerca de 65 mil pessoas - "detentos judeus, guerrilheiros poloneses e prisioneiros de guerra soviéticos" foram sistematicamente assassinados, segundo historiadores.

Setenta e sete anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha continua em busca de ex-criminosos nazistas ainda vivos, o que demonstra a crescente severidade, ainda que muito tardia, de sua justiça.

A Alemanha também estendeu as investigações aos executores, muitas vezes subordinados que recebiam ordens, da máquina nazista.

bro-clp/smk/lch/mab/zm/aa/mr