Promotoria pedirá pena de morte para autor de massacre na Flórida

Por Leila MACOR
(Fevereiro) Nikolas Cruz (c) comparece ao tribunal de Broward

O estado americano da Flórida pedirá a pena de morte para Nikolas Cruz, autor do massacre de 17 pessoas em uma escola na cidade de Parkland há um mês, informou a promotoria nesta terça-feira.

"O estado pretende buscar a pena de morte contra o acusado Nikolas Jacob Cruz", indica um documento judicial da promotoria no condado de Broward, ao que pertence Parkland, 80 km ao norte de Miami.

Cruz enfrenta 17 acusações de homicídio premeditado em primeiro grau e 17 acusações de tentativa de homicídio, pelos 17 mortos e 17 feridos durante o massacre na escola Marjory Stoneman Douglas, em 14 de fevereiro.

Se o acusado pretende apresentar testemunhos de especialistas em saúde mental para se defender, deve entregar uma solicitação à juíza Elizabeth Scherer ao menos 20 dias antes do início do julgamento, acrescenta o documento.

As acusações serão lidas nesta quarta-feira, quando completa um mês do tiroteio que desatou um debate nacional sobre a posse de armas.

Não ficou claro se Cruz estará presente na audiência, disse à AFP uma porta-voz do tribunal do condado de Broward.

Também na quarta-feira, estudantes de todo o país planejam sair de suas escolas no meio da manhã para exigir à classe política que restrinja o acesso às armas e proíba a venda de fuzis semiautomáticos, como o AR-15 com que Cruz fez o ataque.

Esta arma também foi utilizada nos massacres em Las Vegas (58 mortos), Sutherland Springs, Texas (26) e Newtown, Connecticut (26).

A atenção nacional atraída pelo massacre em Parkland, assim como a pressão exercida pelos estudantes, motivaram legisladores da Flórida a aprovar na semana passada medidas inéditas orientadas a pôr limites ao acesso às armas, que é garantido pela segunda emenda da Constituição.

A lei de "segurança escolar" entrou em vigor na sexta-feira passada, ao ser assinada pelo governador da Flórida, Rick Scott.

A lei 7026 eleva de 18 para 21 anos a idade mínima para comprar armas, proíbe os "bump stocks" (dispositivos que permitem armas semiautomáticas disparar rajadas) e destina 400 milhões de dólares para melhorar a segurança nas escolas e tratamentos de saúde mental.

Esta medida não proíbe os fuzis semiautomáticos e adia para 1º de outubro a entrada em vigor da cláusula relativa aos "bump stocks".