Rússia quer tornar ilegais organizações 'extremistas' de Navalny

Thibaut MARCHAND
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A Promotoria russa solicitou, nesta sexta-feira (16), que várias organizações ligadas ao opositor preso Alexei Navalny sejam consideradas "extremistas" e proscritas, uma medida que pode levar a duras penas de prisão para seus membros.

"Sob slogans liberais, essas organizações se dedicam a criar condições desestabilizadoras da situação social e sócio-política", afirmou a Promotoria de Moscou em um comunicado.

Diante disso, pediu a um tribunal da capital russa que qualifique como "extremistas" o Fundo de Combate à Corrupção (FBK) e seus escritórios regionais.

Segundo o comunicado, "os reais objetivos de suas atividades são criar as condições para mudar os alicerces da ordem constitucional, utilizando até mesmo a estratégia das 'revoluções coloridas'".

A lista de organizações "terroristas e extremistas" do Comitê Nacional Antiterrorista inclui grupos jihadistas como o Estado Islâmico (EI) e grupos religiosos como as Testemunhas de Jeová.

Navalny, de 44 anos, foi condenado em março a dois anos e meio de prisão por uma suposta fraude ocorrida em 2014, considerada por muitos apenas um pretexto para prendê-lo.

O principal opositor do presidente Vladimir Putin anunciou em 31 de março que havia iniciado uma greve de fome para protestar contra as condições de sua detenção e acusou a administração penitenciária de negar-lhe atendimento médico, apesar de sofrer de dupla hérnia de disco, segundo seus advogados.

Depois de sua ilegalização em 2017, as Testemunhas de Jeová sofreram várias inspeções em suas instalações na Rússia e vários de seus líderes foram condenados a penas de prisão de até seis anos.

- "Enorme repressão política" -

"Putin acaba de anunciar uma enorme repressão política", denunciou Leonid Volkov, um colaborador de Navalny, no Twitter. Ele e o diretor do FBK, Ivan Jdanov, disseram em nota que não têm dúvidas de que "o tribunal de Putin" concretizará a ilegalização, mas garantiram que "continuarão seu trabalho de forma pacífica, pública e eficaz".

Fundado em 2011, o FBK já recebeu inúmeras multas em 2019 e teve suas contas congeladas por não ter declarado corretamente que se tratava de "um agente estrangeiro", uma condição ambígua que o governo russo atribui a todas as organizações com "atividade política" que se beneficiam de financiamento externo.

O FBK é conhecido por expor casos de corrupção e extravagâncias nas elites russas. A organização publicou um vídeo no YouTube em janeiro, assistido mais de 115 milhões de vezes, acusando Putin de possuir um grandioso palácio perto da costa do Mar Negro.

Depois de passar cinco meses se recuperando na Alemanha de um envenenamento pelo qual ele culpa Putin, Navalny voltou para a Rússia em janeiro, mas foi imediatamente detido.

Desde então, a repressão judicial contra a oposição vem se intensificando. Um tribunal russo proferiu nesta sexta uma sentença de prisão de dois anos a um colaborador do opositor que trabalhava para o FBK.

Lyubov Sobol, outra colaboradora de Navalny, já havia sido condenada a uma pena suspensa na quinta-feira por supostamente entrar na casa de um agente dos serviços de segurança russos.

Mais de 11 mil pessoas já foram presas em toda a Rússia por sua participação em protestos em apoio a Navalny.

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