Promotoria venezuelana indiciará policial por morte de jovem em protesto

(6 abr) Opositor venezuelano em meio a uma nuvem de gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante os protestos em Caracas

Um policial será indiciado na Venezuela pela morte de um jovem de 19 anos, ferido por uma bala, durante um protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro, informou nesta sexta-feira a promotoria.

Os dois promotores encarregados do caso "indiciarão o oficial por supostamente cometer um crime previsto na legislação venezuelana", indicou um comunicado sem detalhar que acusações lhe atribuirão.

Jairo Ortiz morreu na noite de quinta-feira após receber um tiro no peito, em uma área nos arredores de Caracas, quando forças de segurança tentavam dispersas manifestantes que bloqueavam uma via.

O acusado é um oficial da Polícia Nacional de 27 anos, que já foi detido pela militarizada Guarda Nacional, segundo o Ministério Público.

O protesto em que morreu o jovem foi registrado depois de uma grande manifestação opositora em Caracas que terminou em confusão, com o balanço de 19 feridos e 30 presos.

Nesta sexta-feira foi realizado um protesto no local para condenar a ação.

O defensor público, Tareck William Saab, anunciou na quinta-feira no Twitter que conversou com o ministro do Interior e da Justiça, Néstor Reverol, para garantir que a morte de Ortiz não fique impune.

A oposição, que denuncia uma forte "repressão" a suas manifestações, condenou o ocorrido. O ex-candidato à presidência Henrique Capriles, governador de Miranda, responsabilizou Reverol poder ordenar a repressão "sem se importar com vidas".

A oposição protestava na quinta-feira contra as decisões com as quais o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumiu brevemente as competências do Parlamento, de maioria opositora.

Depois que policiais e militares impediram que os adversários de Maduro protestassem até a Defensoria, ocorreram problemas em diferentes pontos da cidade.