Proposta de aumentar número de licenças para 'amarelinhos' divide taxistas no Rio

Luiz Ernesto Magalhães
1 / 3

WhatsApp Image 2020-03-04 at 13.51.54 (1).jpeg

Luiz Brun ganhou sua autonomia na época do movimento Diárias Nunca  Mais, mas hoje é contra a proposta

A proposta do prefeito Marcelo Crivella de aumentar em mais de 9 mil o número de licenças para motoristas dos "amarelinhos" no Rio  dividiu os taxistas. Alguns, favoráveis à medida, acreditam que não haverá aumento do número de taxistas na rua porque a medida beneficiaria apenas quem já trabalha como taxista e hoje paga diárias a donos de autonomia que não rodam na praça. Mas outros consideram que o projeto de lei, se aprovado, vai fazer crescer a frota de táxis circulando nas ruas - hoje são 33 mil veículos -, aumentando também a concorrência entre os motoristas, que já disputam passageiros com os condutores de aplicativo. Como consequência, a já apertada margem de lucro desses profissionais cairia.

O motorista Luiz Brun, de 54 anos, há 25 anos na praça, ganhou sua autonomia no movimento Diárias Nunca  Mais. No início dos anos 2000, o ex-prefeito Luiz Paulo Conde distribuiu licenças para todos os motoristas auxiliares. Na época, os taxistas foram proibidos de terem ajudantes, medida revista depois, durante a gestão do ex-prefeito Cesar Maia. Apesar deter sido beneficiado no passado, ele hoje é contra a proposta:

­— Se essa proposta for aprovada, vai inchar ainda mais a praça. Estamos falando de mais 27 mil taxistas se os carros (seriam 9.133 veículos a mais, cada um com um titular de licença e outros dois motoristas auxiliares) rodarem 24 horas. A concorrência só vai aumentar. Isso é muito ruim para a categoria. Em 2000, foi a mesma coisa. Isso é jogada política — considera ele, lembrando que este é ano eleitoral.

Já o autônomo Pedro Paulo de Queiroz de 61 anos, que também ganhou sua autonomia na época do Diárias Nunca Mais, ao contrário de Brun, é a favor da distribuição de novas autonomias, por não considerar que haverá aumento da concorrência.

— Quem vai sair prejudicado é quem não trabalha (só detém a autonomia) e vive de explorar os motoristas auxiliares. Não posso ficar contra se eu mesmo fui beneficiado há 20 anos — disse.

O motorista Ari Costa, de 48 anos, que é auxiliar há 12 anos, conta que paga R$ 120 de diária e nem sempre consegue faturar o suficiente por dia. Ele gostou da iniciativa de Crivella.

 

— Só vai prejudicar dono de carro que não trabalha. A medida pode até ser eleitoreira, mas não será por causa de autonomia que vou votar no prefeito — disse.    

Mas há um consenso entre os taxistas ouvidos pelo EXTRA. Todos afirmaram que, independentemente de qualquer medida tomada, ela será apenas um paliativo se não houver um controle na quantidade de motoristas de aplicativos que rodam pelo Rio. Mas isso não é possível, já que, em maio de 2019, o Supremo Tribunal Federal  já decidiu, por unanimidade, com base no princípio constitucional da livre concorrência, que os municípios podem fiscalizar o serviço, mas não podem proibir a circulação ou estabelecer medidas para restringir a atuação de serviços de transporte oferecidos, como o Uber e o 99.