Proposta de racionar energia provoca racha na União Europeia

Um pedido da Comissão Europeia para que os 27 países-membros reduzam o consumo de gás diante da queda na oferta russa do combustível não foi bem recebido por alguns países do bloco, pondo em dúvida a sua aprovação na próxima semana, quando será discutida pelos ministros de Energia.

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Portugal, Espanha foram os primeiros a rechaçar o plano “Economize gás para um inverno seguro” do Executivo europeu, apresentado na quarta-feira e que propõe um corte horizontal de 15% entre os meses de agosto e março em relação à média dos cinco anos anteriores.

— Não podemos assumir um sacrifício desproporcional sobre o qual nem sequer nos foi pedido um parecer prévio — disse o secretário de Energia de Portugal, João Galamba, citado pelo Financial Times.

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Já a ministra de Energia da Espanha, Teresa Ribera, alegou que, “ao contrário de outros países”, o seu vive dentro das próprias “possibilidades energéticas”, em um recado enviesado para a Alemanha, que depende em mais de 50% do gás russo.

— O princípio se aplica: nós na Europa devemos economizar gás e isso significa que mesmo os países que não são diretamente afetados pelo corte no fornecimento de gás da Rússia devem ajudar os outros países. Caso contrário, não há solidariedade europeia — respondeu o ministro da Energia alemão, Robert Habeck.

Itália, Polônia, Grécia e Hungria também apresentaram objeções ao plano na quinta-feira.

— A Comissão Europeia, que ataca a Hungria com acusações infundadas de violação Estado de Direito, apresentou um plano que desrespeita a lei da UE, que viola os direitos fundamentais, bem como a soberania individual e nacional — afirmou Peter Szijjártó, ministro das Relações Exteriores do país, na semana passada, em encontro com seu colega russo Sergei Lavrov em Moscou para solicitar suprimentos adicionais de gás.

Já a França, que depende apenas de 17% do gás russo, não se opôs publicamente ao plano, embora a ministra da Energia, Agnès Pannier-Runacher, tenha dito na quarta-feira que “devemos antecipar e coordenar nossas ações antes de fixar metas que são iguais para todos”.

Bruxelas tem sido pressionada a encontrar soluções para evitar choques econômicos em todo o bloco, caso Moscou diminua ainda mais o fornecimento do combustível. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, insistiu em que os países-membros devem mostrar solidariedade:

— Eu sei que estes são tempos desafiadores, mas os tempos desafiadores exigem que estejamos bem organizados e bem coordenados em nível europeu — declarou.

Projeções do Executivo europeu mostram que, em caso de inverno rigoroso e sérias interrupções no fornecimento de gás, o Produto Interno Bruto do bloco pode cair até 1,5%.

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