Proposta tributária atribuída a economista de Bolsonaro é "cruel", diz Alckmin

Candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, durante entrevista à imprensa estrangeira em Brasília 17/09/2018 REUTERS/Adriano Machado

SÃO PAULO (Reuters) - A proposta de mudanças tributárias que teria sido defendida por Paulo Guedes, coordenador econômico do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, é "atrasada e cruel", disse nesta quarta-feira o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo relata que Guedes afirmou a investidores que, se o candidato do PSL vencer as eleições, um novo imposto nos moldes da extinta CPMF será criado. Além disso, o principal conselheiro econômico de Bolsonaro também teria afirmado que criaria uma alíquota única de Imposto de Renda, de 20 por cento.

"A proposta de Bolsonaro e Paulo Guedes é atrasada e cruel. Além da absurda volta da CPMF, querem fazer quem ganha menos pagar mais Imposto de Renda. O candidato está infeliz porque seu pacote de maldades foi revelado. O que mais será que ele esconde?", escreveu Alckmin em sua conta no Twitter.

As supostas ideias tributárias de Guedes também foram alvo de críticas de outros candidatos ao Palácio do Planalto. Ciro Gomes (PDT), por exemplo, classificou a unificação das alíquotas do IR de "fascista".

A presidenciável da Rede, Marina Silva, também se colocou contra a criação de um novo tributo nos moldes da CPMF em entrevista coletiva após participar de sabatina em São Paulo.

"Eu sou contra recriar a CPMF. E nós temos uma proposta de reforma tributária, temos os princípios de uma reforma tributária", disse.

"Os princípios da nossa reforma tributária são de simplificação, de descentralização, de combate à injustiça tributária --porque os mais pobres acabam pagando mais-- e o princípio da impessoalidade", defendeu.

(Por Eduardo Simões)