Prostituta ligada a sequestro de juiz americano alega 'relação amorosa' ao pedir prisão domiciliar

Presas há uma semana sob a acusação de terem participado do sequestro de um juiz americano em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Beatriz Freitas dos Santos, de 19 anos, e Shayna Xavier Monteiro da Silva, de 27, apresentaram à Justiça pedidos para que possam cumprir prisão domiciliar. Ao depor na Delegacia Antissequestro (DAS), o magistrado estrangeiro contou que foi abordado no flat que havia alugado pouco depois de se encontrar com as duas mulheres, que, segundo ele, seriam garotas de programa. Na petição apresentada nesta terça-feira, dois dias depois do pleito feito pela defesa de Shayna, o advogado de Beatriz alega que "tudo aconteceu após um encontro com a suposta vitima para manter relação amorosa" e que "os próprios depoimentos deixam claros que não houve participação efetiva da acusada, sendo certo que o crime ocorreria mesmo em sua ausência".

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A peça assinada pelo advogado Ricardo Boschiglia afirma ainda que a cliente "não possui uma vida voltada para o mundo do crime" e que não há "prova de que , em prisão domiciliar, a acusada coloque a ordem pública em xeque, tampouco vítimas ou testemunhas que pudessem ser ofendidas". Por fim, a defesa argumenta, como justificativa para a concessão da prisão domiciliar, que "a acusada é mãe de criança de idade tenra" — um menino de 1 ano e 3 meses, cuja certidão de nascimento foi anexada ao processo.

O mesmo foi feito pela defesa de Shayna, que cita os três filhos da presa, com idades de 6 e 9 anos, além de um bebê prestes a completar 1 ano. "A acusada é mãe de crianças menores e ainda viúva, conforme documentos anexos. E, ainda, possui residência fixa, é tecnicamente primária, foi mão recente e é a única pessoa que sustenta os menores", enumera Maria Luiza de Saboia Campos Alves de Oliveira, que assina o pedido. Em seguida, a advogada pondera: "Ela possui condições de responder em prisão domiciliar, mesmo que seja determinada sob monitoramento".

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Até o momento, não constam no processo respostas a nenhum dos dois pedidos. A decisão está a cargo da juíza Paula Fernandes Machado, titular da 5ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, onde tramita a ação contra as duas mulheres. Além delas, também foi preso em flagrante Erivaldo Juvino Silva, conhecido como Nem da Malvina, apontado como chefe de uma milícia que age em diversos pontos de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

As investigações tiveram início após agentes da 24ª DP (Piedade) receberem informações sobre um americano sequestrado por bandidos, que exigiam pagamento como resgate. A polícia, em uma ação conjunta que também contou com a participação da DAS e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), acabou descobrindo que a vítima foi rendida por dois homens em seu flat, em Copacabana, horas depois de receber as duas prostitutas. Elas voltaram ao imóvel com os criminosos, que roubaram dinheiro do turista e o levaram para local desconhecido.

Em depoimento, a vítima contou que costuma vir ao Brasil há 20 anos a turismo, sempre se hospedando em flats de Copacabana. Ele relatou que já manteve um relacionamento com uma brasileira no passado. O juiz chegou ao Rio no último dia 3 e, uma semana depois, marcou um encontro com duas garotas de programa que havia conhecido em viagens anteriores.

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Na manhã seguinte, segundo o relato do americano, as duas mulheres pegaram um carro de aplicativo para deixar seu flat por volta das 11h30. Uma hora depois, contudo, elas bateram à porta do apartamento. Quando abriu, dois homens entraram, acompanhando as prostitutas — um deles depois identificado como Erivaldo.

Os homens se apresentaram como policiais e afirmaram que o juiz estaria preso. Um deles, segundo a vítima, estava armado com uma pistola. Após horas de diligências e negociação entre vítima e sequestradores, policiais prenderam Edivaldo no momento em que os criminosos retornaram para o bairro de Copacabana. O juiz americano foi libertado sem pagamento de resgate. As autoridades ainda buscam outros envolvidos com o crime.

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