Prostitutas de Belo Horizonte em greve para exigir vacinas anticovid

Douglas MAGNO (STR)
·1 minuto de leitura

Prostitutas de Belo Horizonte paralisaram nesta semana suas atividades para exigir que fossem incluídas entre os grupos prioritários que recebem a vacina da covid-19.

Milhares de profissionais do sexo são afetadas pelo fechamento de motéis onde alugam quartos para prestação de seus serviços no centro da capital mineira; e muitas estão correndo riscos nas ruas para encontrar clientes.

"Estamos na linha de frente, movimentando a economia. Estamos em risco, não temos auxílio, não temos cesta básica", disse Cida Vieira, presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aspromig) à AFP, que afirmou que cerca de 2.000 mulheres aderiram ao movimento.

Junto a outras profissionais do sexo, Vieira liderou um protesto com faixas na Rua Guaicurus, região movimentada de lojas populares e motéis onde concentram suas atividades, agora paralisadas por restrições aos serviços não-essenciais para conter o vírus.

"Nós fazemos parte do grupo prioritário pois mexemos com vários tipos de pessoas e estamos correndo risco de vida", declarou à AFP Lucimara Costa, que trabalha como prostituta.

O governo federal definiu como prioridade na vacinação trabalhadores de saúde, idosos, indígenas, pessoas com comorbidades e professores, entre outros grupos, o que não inclui profissionais do sexo.

A projeção oficial prevê a vacinação de pessoas inseridas nessas categorias prioritárias (cerca de 77 milhões de pessoas) durante o primeiro semestre de 2021.

No entanto, especialistas estimam que essa etapa pode ser estendida até setembro por falta de doses disponíveis.

Assim como o restante do Brasil, Minas Gerais vive uma segunda onda da pandemia, embora o número acumulado de mortes por 100 mil habitantes no estado seja de 121, uma das menores taxas do país.

O país tem mais de 332.000 mortes, superadas em números absolutos apenas pelos Estados Unidos.

mel/js/mls/bn/am