Protagonista de 'Nos tempos do Imperador', Michel Gomes fala de racismo na época do Império e no Brasil atual

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Além dos desafios do reinado de D. Pedro II, ‘‘Nos tempos do Imperador”, próxima novela das seis da Globo, que estreia no dia 9 de agosto, vai mostrar a luta dos negros pela libertação de todos os escravizados na época e também pela igualdade social no Brasil. Apesar de a realidade atual ser diferente daquela retratada na trama, ainda há muito o que ser melhorado. Em pleno 2021, Michel Gomes passa por situações parecidas com as que seu protagonista Samuel/Jorge enfrenta na ficção.

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— As histórias da novela são dos nossos ancestrais, mas também são situações que vivo até hoje. Moro em um bairro onde, toda vez que saio de moto, levo uma ‘‘dura’’ até alguém saber que eu sou uma pessoa pública — relata o morador do Recreio, na Zona Oeste do Rio, que nasceu na comunidade da Vila Vintém, onde boa parte da família vive: — Meu irmão ainda está na favela e tem policial entrando na casa dele. Nós (negros) somos os que mais sofrem. Então, quando estou em cena, sei que estou contando minha história também.

E ainda:

Justamente por colocar suas dores no homem com dupla identidade, Michel tem tido dificuldade para se separar do personagem:

— O único desafio é deixá-lo no trabalho, chegar em casa e relaxar. É desafiador esse personagem ficar (no estúdio) e eu ser o Michel. Nesse período, estou sendo metade ele e metade eu. Mesmo assim, amo meu trabalho e me divirto. No dia que eu não tiver tesão no que eu faço, vou procurar outra coisa.

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Embora Samuel/Jorge seja o primeiro protagonista de Michel na Globo, o currículo do ator, de 32 anos, é extenso: com 12 anos, ele fez sua estreia no cinema, em “Cidade de Deus”, onde interpretou Bené, parceiro de crimes de Dadinho/Zé Pequeno (Leandro Firmino) na infância. Já em 2008, o ator protagonizou o filme “Última Parada 174”, baseado na história real de Sandro Barbosa, sobrevivente da Chacina da Candelária e sequestrador de um ônibus, em 2000. No ano seguinte, o artista estreou em novelas como irmão de Taís Araujo, em “Viver a vida”, de Manoel Carlos. Na emissora, Michel ainda participou de “Joia rara” e “Cidade dos homens”. Na Netflix, mais recentemente, protagonizou a série “3%”.

Para “Nos tempos do Imperador”, o carioca promete muita entrega:

E mais:

— Não consigo trabalhar de outra forma que não seja com intensidade. Sempre levo meus papéis para o lado visceral, sentimental. Sei que a responsabilidade é grande, mas estou sentindo de verdade tudo que está em cena.

Trama é continuação de ‘Novo mundo’

“Nos tempos do Imperador” foi encomendada pela Globo a Alessandro Marson e Thereza Falcão na reta final da primeira exibição de “Novo mundo”, em 2017. Continuação da trama sobre D. Pedro I (Caio Castro) e os bastidores da Independência do Brasil, o folhetim inédito vai mostrar a atuação de D. Pedro II (Selton Mello) no Brasil Imperial, e revelar lados desconhecidos do monarca para o público. As gravações começaram em março de 2020, mas, devido à pandemia da Covid-19, precisaram ser interrompidas, retornando apenas em novembro do ano passado.

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