Proteção contra os danos do sol é tema principal do Encontros O GLOBO

Ana Paula Blower
·3 minuto de leitura

Com o verão, aparecem também mitos e receitas para a pele, como bronzeamentos ou hidratantes milagrosos. Por outro lado, médicos ressaltam que esta é uma época crucial para se proteger ainda mais diante dos riscos do câncer de pele, o mais comum entre os cânceres. Diante da importância do tema, o Encontros O Globo Saúde e Bem-estar da última quinta-feira reuniu dermatologistas que falaram sobre as melhores formas de cuidar da pele.

Coordenador e curador do evento, o cardiologista Cláudio Domênico chamou atenção para uma busca desenfreada por soluções mágicas e não adoção de práticas básicas, como boa alimentação, hidratação e proteção solar. Além disso, Domênico ressaltou a necessidade das consultas médicas regulares para identificar doenças silenciosas, como o câncer de pele.

— A prevenção é a melhor arma que temos. Muitas doenças não têm sintomas e aí não se procura tratamento. A pessoa pode estar com uma mancha escura, perigosa na pele e nem sabe os riscos daquilo — assinalou o médico.

Palestrante no Encontros, a dermatologista Alessandra Zawadzki, médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia, concordou com Domênico e disse que muitas vezes os pacientes vão ao consultório apenas por uma queixa estética e não pela saúde da pele exclusivamente.

— A visita regular ao dermatologista ajuda a identificar problemas que vão de uma micose, que ocorre com frequência, a uma lesão que pode levar à morte, que é o melanoma (o tipo mais severo de câncer de pele). A prevenção deve ser do envelhecimento e de doenças — disse.

Mesmo no dia a dia, ressaltam os médicos, é possível estar atento ao seu corpo. Segundo Zawadzki, qualquer pinta que surja de repente deve ser analisada por um especialista. Outros sinais de alerta com relação às manchas já existentes são: alteração da borda da lesão, múltiplas cores; se começa a aumentar, descamar, apresentar sangramentos ou coceira.

— É comum que o paciente não consiga ver uma mancha nas costas, no couro cabeludo ou na planta dos pés. Mas são áreas que precisam de atenção e que um familiar pode ajudar a inspecionar — aconselhou a médica.

As consequências da falta de prevenção foram muito enfatizadas pelos palestrantes. A dermatologista Mayara Nascimento, coordenadora do Centro de Dermatologia Cepem, por exemplo, trouxe um dado alarmante: um a cada cinco brasileiros terá câncer de pele antes dos 70 anos. Diante disso, ela reforça as medidas necessárias para a fotoproteção, já que os danos do sol vão se acumulando no corpo desde a infância.

— A fotoproteção envolve filtro com FPS maior do que 30, em geral, e maior do que 60 para peles mais claras; ele deve ser aplicado de três em três horas e após cada mergulho ou depois de suar muito. Além disso, há a necessidade da barreira física, que se dá pelo uso de chapéus, que protegem orelha, nariz e pescoço, uso de barraca de lona ou algodão e de roupas de proteção UV com tecido especial que filtra radiação ultravioleta — diz.

E, na hora de passar o protetor solar, Zawadzki lembra que quantidade é fundamental. Ela cita uma regra que pode ajudar a saber a quantidade ideal: uma colher de chá para o rosto e pescoço, uma de sopa para os braços, tronco e para as pernas.

A mediação do debate foi feita pela repórter do Globo Constança Tatsch e todo o conteúdo está disponível nos canais do Globo na internet. O Encontros O Globo é uma realização do GLOBO com patrocínio do Cepem (Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher).