Protestos contra aumento das passagens abalam São Paulo e Rio

Manifestante nas ruas de São Paulo nesta quinta-feira (13)

Milhares de pessoas protestaram nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro e em São Paulo, contra o aumento das passagens dos ônibus urbanos, enfrentando a polícia militar nas duas cidades.

Em São Paulo, mais de 5 mil manifestantes ocuparam o coração da cidade, no quarto protesto contra a elevação dos preços das passagens de ônibus, trem e metrô.

A polícia militar agiu com extremo rigor para dispersar os manifestantes na Avenida Paulista, disparando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Segundo a polícia, 160 pessoas foram detidas. A imprensa paulista informou 55 feridos.

A Folha de São Paulo revelou que sete de seus jornalistas foram feridos, incluindo dois atingidos no rosto por balas de borracha.

"Queremos acabar com o aumento e também passe grátis (nos transportes) para todos", disse à AFP a estudante Aline Bailo, de 23 anos.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o aumento será mantido e destacou que o reajuste foi "bastante inferior à inflação".

"Depredação, violência e obstrução das vias públicas não são aceitáveis. O governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo", disse o governador Geraldo Alckmin.

No Rio de Janeiro, ao menos 2 mil pessoas protestaram contra o aumento das passagens de ônibus bloqueando a Avenida Rio Branco.

Gritando palavras de ordem como "o Rio vai parar se a passagem não baixar", os manifestantes exigiram a suspensão do aumento das tarifas nos transportes coletivos. No dia 1º de junho, a passagem de ônibus subiu de R$ 2,75 para R$ 2,95.

"Não aguentamos mais essa sucessão de aumentos, enquanto gasta-se bilhões com a Copa do Mundo", disse a estudante Halux Maranhão, que segurava uma rosa branca.

O ator Gabriel Garcia, de 29 anos, disse que, apesar de a manifestação provocar transtornos à população, é um mal necessário: "quero viver numa cidade melhor, que respeita seus cidadãos".

A manifestação, que começou de forma pacífica, degenerou em violência após grupos queimarem latas de lixo e a polícia utilizar bombas de efeito moral para dispersá-los.

Um jovem manifestante recebeu uma pedrada na cabeça e um policial foi ferido, segundo a TV local.

A Anistia Internacional (AI) manifestou sua preocupação com a violência, a repressão policial e a prisão de jornalistas.

"Observamos com preocupação o aumento da violência na repressão aos protestos contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo", disse a AI em um comunicado.