Domingo é marcado por confusão em protestos contra Bolsonaro

Por Valeria PACHECO
Manifestante de ato contra o presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista em 31 de maio de 2020

Os confrontos em São Paulo entre apoiadores e adversários do presidente Jair Bolsonaro aumentaram as tensões no Brasil neste domingo, já polarizadas pela crise do coronavírus, com mais de 500.000 casos e quase 30.000 mortes.

O próprio Bolsonaro, que se opõe às medidas de confinamento decretadas por vários governadores, participou sem usar máscara de uma manifestação em Brasília contra o Supremo Tribunal Federal.

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Antes de cumprimentar seus apoiadores em Brasília, Jair Bolsonaro sobrevoou o local de helicóptero e depois montou em um cavalo da polícia, aplaudido pela multidão.

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O Brasil, em plena expansão do coronavírus, registrou neste domingo 514.849 infecções por coronavírus, metade do que foi registrado na América Latina e o segundo maior número depois dos Estados Unidos (com quase 2 milhões afetados).

Com 210 milhões de habitantes, é o quarto país do mundo com mais mortes por coronavírus (29.314), atrás de Estados Unidos (com mais de 104.000), Reino Unido (38.489) e Itália (33.415).

Os tumultos em São Paulo ocorreram entre os participantes de uma manifestação "antifascismo" e os bolonaristas contrários às medidas de confinamento.

Vestidos de preto e com uma faixa em favor da democracia, cerca de 500 manifestantes, muitos usando máscaras para proteger-se contra o coronavírus, cruzaram na Avenida Paulista com centenas de bolonaristas.

As barreiras policiais não impediram uma briga entre os dois lados. A polícia interveio disparando bombas de gás lacrimogêneo.

Manifestantes anti-Bolsonaro queimaram latas de lixo municipais e jogaram pedras nos policiais, que novamente responderam com gás lacrimogêneo. Pelo menos três pessoas foram presas, segundo a polícia.

O "ato antifascista" foi convocado pelos torcedores de vários clubes paulistas, principalmente do Corinthians, mas também do Palmeiras, São Paulo e Santos.

Nas redes sociais, a órbita bolonarista, que denuncia um plano de derrubar o presidente promovido por legisladores, juízes e mídia, mobilizou-se para atribuir violência aos oponentes.

"Temos que parabenizar a imprensa pelo esforço absurdo em enxergar 'defesa da democracia' em um ato com membros portando faca, soltando rojão contra PM e espancando opositores; é proporcional ao esforço para enxergar autoritarismo em seguidas semanas de atos pacíficos pró-governo", tuitou Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente e vereador do Rio de Janeiro.

- Aliança com EUA -

Como parte da aliança entre Bolsonaro e seu colega americano Donald Trump na luta contra o coronavírus, a Casa Branca anunciou neste domingo que enviou ao Brasil dois milhões de doses de hidroxicloroquina, apesar de seu uso ser controverso no tratamento da COVID-19.

O Brasil sofre com a expansão da pandemia, mas o Ministério da Saúde sustenta que "não há como especificar" quando será o pico da epidemia, argumentando a diversidade de cenários em um país com dimensões continentais.

Estimativas de especialistas indicam que o número de infecções pode ser até 15 vezes maior, uma vez que testes em massa não são feitos no Brasil.

Os dois estados com mais mortes e casos são São Paulo e Rio de Janeiro, embora os mais afetados em relação à sua população sejam os do norte e nordeste.

Em meio à pandemia, a taxa de rejeição de Bolsonaro atingiu um nível recorde de 43%, segundo pesquisa do instituto Datafolha, embora o presidente também mantenha seus apoiadores em 33%.

A avaliação negativa da forma como está enfrentando a crise da saúde aumentou de 45% em abril para 50% em maio. Apenas 27% aprovam.

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