Protesto defende volta do Cine Roxy como cinema após projeto para virar casa de espetáculos

Acontece neste domingo (13), às 11h, uma manifestação em frente ao Cine Roxy, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Organizado pelo grupo "Salve o Roxy", que reúne cinéfilos, artistas e moradores do bairro, o protesto pede a volta do Roxy como sala de cinema.

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Fechado desde 2020 em razão da pandemia, o Roxy é de propriedade do Grupo Severiano Ribeiro. Em junho de 2021, o grupo anunciou o fechamento definitivo da sala. À época, a prefeitura do Rio inseriu o cinema no Cadastro de Negócios Tradicionais e Notáveis do Rio de Janeiro e chegou a anunciar no Twitter que a sala permaneceria como cinema. O imóvel também é tombado por decreto municipal desde 2003, o que proíbe alterações físicas no espaço sem o aval prévio do setor de patrimônio da cidade.

Em agosto do ano passado, foi anunciado um projeto dos empresários Alexandre Accioly e Dody Sirena, novos arrendatários do imóvel, para transformar o Roxy em uma casa de espetáculos no estilo Moulin Rouge, de Paris, o que é alvo de crítica pelos responsáveis pelo protesto.

— O movimento pede o veto desse projeto que descaracteriza o Roxy bem como qualquer outro que não seja exibição de atividade cinematográfica — destaca o advogado Guilherme Correa, um dos idealizadores da manifestação. — Temos também o intuito de pensar alternativas contra o apagamento/desativação do último cinema de Copacabana.

Com 84 anos de existência, o Roxy foi um dos principais cinemas do Rio e foi a maior sala da cidade antes de ser dividida em três outras salas no início dos anos 1990, formato que permaneceu até o fechamento. No momento, o diretor Rafael Lundgren está desenvolvendo o documentário "Para sempre Roxy", no qual entrevista moradores, cinéfilos e artistas que tiveram suas vidas afetadas pelo local. Ainda em desenvolvimento e à procura de parceiros para distribuição, o longa pretende ainda tratar da importância de se preservar espaços como o Roxy.

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Presidente da Associação de Moradores de Copacabana e vizinho do Roxy, Horácio Magalhães, considera o protesto legítimo, mas se diz feliz com o fato da sala não se transformar em um super-mercado ou igreja.

— É um protesto legítimo visto que os moradores tinham a esperança do retorno das atividades do cinema. Mas o imóvel foi alugado e o projeto do atual ocupante não prevê a retomada da atividade de cinema, mas como uma casa de shows. Isso gerou um misto de alegria e tristeza. Alegria pelo Roxy continuar a ser um empreendimento cultural na área de shows, e tristeza pelo fato de não continuar como cinema.

Alexandre Accioly reforça que o Grupo Severiano Ribeiro já havia deixado claro que a sala não retornaria como cinema, e que chegaram a negociar com outros empreendimentos fora da área cultural.

— O Roxy estava sendo negociado entre um super-mercado e uma empresa de esporte. E agora continuará em sua essência que são as atividades culturais, sendo transformado em um teatro com musicais. Após a inauguração o bairro e seus moradores terão muitos motivos para comemorar — aponta o empresário, que fala sobre a importância de valorizar o potencial turístico do bairro. — A economia do bairro é muito aquecida através do turismo, então utilizar aquela esquina, hoje um ponto que abriga moradores de rua e é mal iluminada, será de grandes ganhos para Copacabana.

O empresário afirma que o "novo Roxy" tem previsão de inauguração para dezembro de 2023 ou no primeiro semestre de 2024. No momento, equipes de arquitetura, light design e cenografia estão trabalhando no projeto a ser apresentado para os órgãos competentes.