Protesto por volta do auxílio leva marmitas vazias à av. Paulista

FERNANDA BRIGATTI
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SÃO PAULO, SP, 18.02.2021 - PROTESTO-SP - O movimento Coalizão Negra Por Direitos durante protesto na avenida Paulista pedindo auxílio emergencial e vacina para todos, pela soberania alimentar e contra a autonomia do Banco Central, além de serem contra Bolsonaro. O auxílio foi cancelado em 2020, e está e discussão entre Congresso e governo a reedição do benefício, mas com valor menor (em torno de R$ 200/R$ 250) e chegando a menos pessoas que o o anterior. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 18.02.2021 - PROTESTO-SP - O movimento Coalizão Negra Por Direitos durante protesto na avenida Paulista pedindo auxílio emergencial e vacina para todos, pela soberania alimentar e contra a autonomia do Banco Central, além de serem contra Bolsonaro. O auxílio foi cancelado em 2020, e está e discussão entre Congresso e governo a reedição do benefício, mas com valor menor (em torno de R$ 200/R$ 250) e chegando a menos pessoas que o o anterior. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Representantes de entidades do movimento negro fizeram um protesto na manhã desta quinta-feira (18) na avenida Paulista, em São Paulo, pela prorrogação do auxílio emergencial no valor de R$ 600 até o fim da pandemia.

Marmitas vazias eram mostradas, sob gritos de "tem gente com fome".

Coordenada pela Coalizão Negra de Direitos, a manifestação se concentrou em frente à sede do Banco Central em São Paulo. Houve atos também em outras capitais, segundo os organizadores.

Além da prorrogação do auxílio, os manifestantes também pediram vacinação para todos e criticaram a autonomia do Banco Central, aprovada na Câmara e no Senado no início do mês. O projeto foi uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro (sem partido).

Na calçada em frente à sede da autoridade monetária, os manifestantes escreveram "fome" usando marmitas de isopor vazias.

Douglas Belchior, da Coalizão Negra por Direitos, diz que o movimento apresentará às Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas propostas de ação para garantir o pagamento do auxílio.

"O Estado, em todos os níveis, precisa se responsabilizar pelo empobrecimento, precisa ser cobrado. Estamos em campanha permanente para pressionar pela prorrogação", afirma.

O grupo chegou a fechar a avenida Paulista por alguns minutos, mas, na maior parte do tempo, utilizou as calçadas.

Diante dos carros parados no semáforo fechado, os manifestantes --a maioria homens e mulheres negras-- levantavam faixas onde era possível ler "Auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia" e "Vacina para todos e todas pelo SUS".

O presidente Jair Bolsonaro foi o principal alvo de críticas dos manifestantes -em alguns momentos, ele foi chamado de assassino e omisso. O governador João Doria (PSDB), de São Paulo, também foi lembrado.

"Auxílio e vacina são pontos cruciais de luta. A população negra é a que mais sofre na pandemia", diz a vereadora Elaine Minero (PSOL), do mandato coletivo Quilombo Periférico.

Outros movimentos, como o RUA Juventude Anticapitalista e o Afronte! Juventude sem Medo também participaram da ação.

Na semana passada, representantes da coalização e integrantes da Rede Brasileira de Renda Básica participaram uma série de reuniões em Brasília (DF) pela retomada no pagamento do auxílio. Eles foram recebidos pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), e pelo vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL).

"Temos 60 milhões de pessoas sob risco de cair abaixo da linha da pobreza. É uma situação que deveria chocar a todos. O auxílio é o mínimo de assistência", afirmou Belchior.

O auxílio emergencial de R$ 600, depois reduzido a R$ 300, foi pago a 67,9 milhões de pessoas no decorrer de nove meses, o equivalente a 4 em 10 brasileiros em idade para trabalhar.