Protestos bolsonaristas perdem força e todas as rodovias ficam livres de bloqueios

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na rodovia Castelo Branco, em Barueri (SP)

SÃO PAULO (Reuters) - Todos os bloqueios de rodovias decorrentes de protestos de manifestantes bolsonaristas descontentes com o resultado da eleição presidencial foram desfeitos, e restavam apenas 24 pontos de interdição parcial do fluxo de veículos em estradas do país, informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) na noite desta quinta-feira.

Os pontos de manifestações de cunho golpista recuaram progressivamente ao longo dia, depois que o presidente Jair Bolsonaro fez pronunciamento na noite da quarta-feira pedindo o desbloqueio das rodovias, apesar de afirmar que outros protestos contra o resultado da eleição são "do jogo democrático".

Bolsonaro esperou três dias para fazer o pedido enquanto o país teve que lidar com centenas de pontos de interdição organizados por bolsonaristas após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito de domingo.

Bolsonaro não reconheceu textualmente sua derrota eleitoral para Lula e fez seu primeiro pronunciamento sobre a eleição 44 horas após a definição da eleição do petista para um terceiro mandato na Presidência da República.

Apesar da postura de Bolsonaro, que disse que os movimentos de cunho golpista de seus apoiadores são resultado de indignação e sentimento de injustiça com a forma como se deu o processo eleitoral, os trabalhos de transição de governo começaram nesta quinta-feira.

O Estado de Mato Grosso, um dos principais focos do movimento que defende um golpe militar para impedir Lula de tomar posse, tinha um dos maiores números de pontos de interdição parcial de rodovias, com 7, na noite desta quinta, segundo os dados da PRF.

Os outros Estados com interdições eram Amazonas (2), Mato Grosso do Sul (1), Pará (6) e Rondônia (8). No auge dos protestos, mais de 320 bloqueios e interdições simultâneos chegaram a ser registrados em 26 Estados pela PRF.

Em despacho nesta quinta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para que o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasquez, apresente um relatório circunstanciado de todas as multas aplicadas pelo órgão, identificando os veículos e pessoas autuadas.

A decisão foi tomada no âmbito da ação que havia pedido ao STF a desobstrução de todas as rodovias federais tomadas por apoiadores de Bolsonaro.

Até a véspera, segundo informações da imprensa, o volume de autuações somava 1.992, com valor de 18 milhões de reais em multas.

Além dos atos golpistas nas estradas, apoiadores de Bolsonaro foram na quarta-feira, feriado do Dia de Finados, para portas de unidades do Exército em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo para pedir intervenção das Forças Armadas, o que é ilegal.

(Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Ricardo Brito e Carolina Pulice)