Protestos contra Duque se intensificam após abusos policiais no sudoeste da Colômbia

·3 minuto de leitura

Protestos contra o governo da Colômbia e abusos policiais eclodiram com violência em Popayán, em repúdio a uma suposta agressão por agentes públicos contra uma garota de 17 anos que se suicidou após ser libertada.

O chefe da Defensoria do Povo, Carlos Camargo, denunciou neste sábado (15) que nessa cidade do sudoeste do país ocorreram "excessos e abusos gravíssimos por parte da polícia, incluindo atos de agressão sexual (...) atos de terrorismo contra as instalações de Medicina Legal e da Procuradoria Geral da Nação com destruição de provas e arquivos judiciais, furto de narcóticos apreendidos, bloqueios e violências de todo tipo".

Camargo também lamentou a morte do jovem Sebastián Quintero durante os protestos de sexta-feira. Segundo organizações de direitos humanos e vídeos que circulam nas redes sociais, o universitário aparentemente morreu com o impacto de uma granada de gás lacrimogêneo em seu pescoço.

Os colombianos completam 18 dias de protesto contra o governo de Iván Duque, com alguns dias mais intensos que outros, com a morte de 42 pessoas (um policial e 41 civis), segundo a Defensoria do Povo, que zela pelos direitos humanos. O Ministério da Defesa, responsável pela polícia, contabiliza mais de 1.500 feridos entre manifestantes e agentes.

Em Popayán, o caso da menor que foi arrastada e supostamente apalpada por agentes das forças de segurança durante um protesto se somou às reivindicações dos manifestantes.

ONGs documentaram vários abusos policiais e as queixas foram ecoadas pela comunidade internacional, que, liderada pelos Estados Unidos, pediu moderação às forças públicas.

Enquanto isso, em Madri, milhares de colombianos saíram às ruas para se manifestar em apoio aos protestos e para pedir ao governo e às organizações da Espanha que olhassem para seu país.

- Envio de militares -

A Colômbia vive uma grave crise social devido ao agravamento da pandemia e à repressão às manifestações contra o governo, que tenta amenizar o descontentamento por meio de negociações com as frentes inconformadas, que exigem um Estado mais solidário e uma sociedade menos desigual.

Na noite de quarta-feira, uma jovem foi conduzida à promotoria por agentes que enfrentavam manifestantes em Popayán. Em um vídeo que viralizou, a jovem aparece gritando enquanto suas mãos e pés são imobilizados e ela é carregada para o local.

De acordo com a Comissão de Direitos Humanos e Garantias, que acompanha os protestos há mais de duas semanas, a menor disse ter sido espancada e apalpada. Na quinta-feira, a menina cometeu suicídio em sua casa.

A polícia, que negou os abusos durante a detenção, anunciou a suspensão de quatro agentes implicados no caso. O ministro da Defesa, Diego Molano, lamentou sua morte e a de Sebastián Quintero, mas insistiu que "nada justifica fazer justiça com as próprias mãos".

Para Molano, os excessos contra os prédios da promotoria e da autoridade forense em Popayán foram "um ataque às instituições, um ato criminoso premeditado e organizado" de dissidentes das Farc que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016 com a ex-guerrilha.

O ministro ofereceu uma recompensa equivalente a 13.500 dólares a quem fornecesse informações que possibilitem a captura dos responsáveis e anunciou um envio adicional de militares e policiais de choque a Popayán, sem mencionar a quantidade.

As manifestações continuam neste sábado em diferentes partes de Bogotá, com expressões artísticas de repúdio à violência policial e às políticas do governo conservador.

lv/yow/ic

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos