Protestos contra medidas de restrição se espalham pelo país

Guilherme Caetano
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SÃO PAULO — Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se reuniram neste domingo para protestar em diversas cidades pelo país. Em São Paulo, houve aglomeração e ataques ao governador João Doria (PSDB) — pelas medidas de restrição adotadas durante a pandemia — e ao ex-presidente Lula, além de pedidos de intervenção militar.

Eles ocuparam aproximadamente quatro quadras da Avenida Paulista, entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Muitos manifestantes estavam sem máscara e não respeitaram o distanciamento social, enquanto o coronavírus já deixou mais de 270 mil mortos no país.

Bandanas com a mensagem "Fora, Doria", bandeiras do Brasil e camisas da seleção brasileira de futebol foram amplamente usadas. Muitos manifestantes pediam a deposição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive com "julgamento militar aos 11 do Supremo".

O ex-presidente Lula, que recuperou os direitos políticos na última segunda-feira, após decisão do ministro do STF Edson Fachin que anulou as condenações do ex-presidente Lula na Lava-Jato, foi lembrado o tempo todo. Lula voltou a ser cogitado como candidato ao Planalto em 2022.

As manifestações foram convocadas ao longo da semana por militantes bolsonaristas e deputados federais, como Carla Zambelli (PSL-SP). Os atos vêm num momento de queda da aprovação de Bolsonaro nas pesquisas e recrudescimento das críticas em relação à gestão da pandemia.

Na última semana, Bolsonaro e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos executaram uma guinada no discurso em relação à vacina e passaram a defender o imunizante como a "arma" do governo federal para a crise. Até então, o presidente debochava da solução.

Em Brasília, um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro também realizou neste domingo uma carreata na Esplanada dos Ministério para criticar medidas de restrição baixadas pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor de uma intervenção militar. Além dos manifestantes nos carros, havia também motociclistas, ciclistas e alguns pedestres.

Em dois carros de som, os manifestantes também criticaram a vacinação contra a Covid-19. Também enfatizaram a decisão tomada na semana passada pelo ministro Edson Fachin, do STF, anulando condenações impostas pela Lava-Jato ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro não compareceu ao ato, mas usou as redes sociais para mostrar cenas da manifestação.