Protestos contra o governo deixam ao menos 17 mortos no Peru

Por Hugo Courotto e Marco Aquino

LIMA/JULÍACA (Reuters) - Pelo menos 17 pessoas foram mortas em confrontos com a polícia no sul do Peru, informou o gabinete de direitos humanos do país na segunda-feira, o dia mais mortal até o momento de protestos exigindo eleições antecipadas e a libertação do ex-presidente preso Pedro Castillo.

Os confrontos ocorreram em Juliaca, uma cidade perto das margens do lago Titicaca, na região sul peruana de Puno, e deixaram 68 pessoas feridas, disse Henry Rebaza, uma autoridade do Ministério da Saúde de Puno, à emissora estatal TV Peru. Entre os mortos há pelo menos dois adolescentes, de acordo com o ministério.

Alguns dos corpos tinham ferimentos de bala, disse o diretor-regional de saúde de Puno, Ismael Cornejo, à estação de rádio local RPP.

As fatalidades recentes elevam o número de mortos em confrontos antigovernamentais contra forças de segurança para 39 desde que os protestos começaram no início de dezembro, depois da destituição e prisão de Castillo logo após ele tentar dissolver o Congresso de forma ilegal.

Castillo está cumprindo 18 meses de prisão preventiva sob a acusação de rebelião. Ele nega as acusações.

Rebaza também disse à TV Peru que 28 policiais feridos não puderam ser retirados do aeroporto de Juliaca. O primeiro-ministro peruano, Alberto Otárola, disse que milhares de manifestantes têm tentado invadir o aeroporto juntamente com uma delegacia da polícia.

O gabinete de direitos humanos do Peru pediu que a polícia cumpra os padrões internacionais no uso da força e nas investigações das mortes, e incentivou os manifestantes a não atacarem propriedades ou impedirem a circulação de ambulâncias.

Protestos pedindo eleições antecipadas e a libertação de Castillo foram retomados na semana passada, após uma trégua durante o feriado de Ano Novo. Os manifestantes também exigem a renúncia da nova presidente Dina Boluarte, o fechamento do Congresso e mudanças na Constituição.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos informou que fará uma visita ao Peru de quarta a sexta-feira, passando por Lima e outras cidades para avaliar a situação.

(Reportagem de Hugo Courotto em Juliaca, Marco Aquino em Lima, Gabriel Araujo em São Paulo e Carolina Pulice na Cidade do México)