Protestos eclodem em funeral de mulher iraniana que morreu após ser presa por polícia da moral

DUBAI (Reuters) - Protestos eclodiram no oeste do Irã neste sábado durante o funeral de uma mulher jovem que morreu após ser detida pela polícia da moralidade ao aplicarem regras rígidas de uso do hijabe, com forças de segurança usando gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram manifestantes gritando slogans anti-governo após se reunirem em Saqez, cidade natal de Mahsa Amini, de cidades nas redondezas na província do Kurdistan, no Irã, em luto pela jovem de 22 anos que morreu em um hospital na capital Teerã na sexta-feira.

“Morte ao ditador”, gritaram alguns manifestantes, em referência ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, enquanto a polícia atirava gás lacrimogêneo. Pelo menos um homem apareceu com um ferimento na cabeça em um vídeo no qual alguém podia ser ouvido dizendo que havia sido causado por uma bala de chumbo. A Reuters não conseguiu autenticar os vídeos.

Nos últimos meses, ativistas pediram que mulheres removessem seus véus em público, um gesto que poderia levá-las a serem presas por desafiar o código de vestimenta islâmico, no momento em que o país reprime “comportamento imoral”.

Manifestantes se espalharam mais tarde no sábado para a capital da província, Sanandaj, com vídeos nas redes sociais mostrando multidões gritando “Saqez não está sozinho, é apoiada por Sanandaj”. Pessoas marchando foram vistas em conflito com a polícia, em meio a sons esporádicos de tiros.

(Reportagem da redação Dubai)