Protestos eclodem em Henan, na China, após fraude bancária

Cerca de mil pessoas participaram de um protesto contra bancos em Zhengzhou, na província de Henan, no centro da China, no domingo, exigindo a devolução de depósitos que estão congelados em suas contas bancárias desde abril. A manifestação, uma das maiores desde o início da pandemia da Covid-19, terminou em um violento confronto com um grupo de homens não identificados, que não se sabe se eram policiais à paisana ou seguranças das instituições financeiras.

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Esse foi o terceiro protesto em pouco mais de dois meses na província, depois que cerca de 39 bilhões de iuans (R$ 30 bilhões) foram congelados por quatro bancos rurais de Henan, afetando as economias de milhares de agricultores.

Em vídeos postados na rede social chinesa Weibo, é possível ver os manifestantes sendo empurrados e espancados por um grupo homens com camisetas brancas e arremessando garrafas de água e pequenos objetos contra eles. Segundo a BBC chinesa, alguns manifestantes ficaram gravemente feridos durante o confronto, incluindo mulheres e idosos.

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Clientes dos bancos afirmaram à emissora que tiveram o código do aplicativo de rastreamento de Covid-19 — necessário para o deslocamento de moradores pelas cidades, como parte da política de Covid zero da China — adulterado para o status vermelho, que significa positivo para o vírus, indicando que deveriam entrar em quarentena por 14 dias e, consequentemente, ficando impedidos de protestar.

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Um homem suspeito de liderar a quadrilha envolvida nas fraudes bancárias foi identificado pelas autoridades do Departamento de Segurança Pública de Xuchang, em Henan. Segundo o órgão, a gangue criminosa, liderada por Lu Yi, controlava vários bancos rurais locais desde 2011, por meio do Grupo Henan Xincaifu — principal acionista das quatro instituições envolvidas — e fazia transferências ilegais disfarçadas de empréstimos fictícios.

No domingo, a polícia anunciou ter prendido alguns dos envolvidos no golpe e apreendido seus bens, mas sem indicar quantas pessoas e quais as identidades dos detidos.

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