Protestos em massa contra militares no Sudão geram confrontos em Cartum

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Um pneu queimado durante um protesto contra o regime militar em 4 de janeiro de 2022 na cidade sudanesa de Omdurman (AFP/-) (-)

Milhares de sudaneses protestaram nesta terça-feira (4) contra os militares em Cartum e em outras cidades do país africano, dois dias após a renúncia do primeiro-ministro.

Policiais, soldados e paramilitares dispararam gás lacrimogêneo contra os civis concentrados em frente ao palácio presidencial na capital, segundo testemunhas.

Os manifestantes gritavam "Não, não ao governo militar!" e pediam a queda da Junta liderada pelo general Abdel Fatah al Burhan, que conduziu o golpe de 25 de outubro.

As ruas de acesso ao quartel-general foram fechadas, em meio a um imponente dispositivo de segurança.

Dezenas de manifestantes também se reuniram na cidade vizinha de Omdurmán, bloqueando ruas com paralelepípedos e tijolos.

Ativistas pró-democracia intensificaram os pedidos de manifestações depois que o então primeiro-ministro Abdullah Hamdok e seus ministros foram detidos.

O golpe gerou manifestações massivas e uma repressão violenta que já deixou pelo menos 57 mortos e centenas de feridos, segundo o sindicato dos médicos.

Pelo menos 13 mulheres relataram estupro durante os distúrbios, de acordo com relatórios da ONU.

Em 21 de novembro, Burhan restabeleceu Hamdok no poder depois de chegar a um acordo no qual prometia convocar eleições em meados de 2023. O movimento de protesto considerou a medida uma "traição" e manteve a pressão nas ruas.

Apesar da repressão mortal e da pressão popular, a revolta contra o general Omar al Bashir, deposto em 2019 pelo exército, voltou-se contra os próprios militares após o golpe.

Nesta terça-feira, os ativistas instaram os manifestantes a tomarem as ruas rumo ao palácio presidencial "até obterem a vitória".

A renúncia de Hamdok trouxe temores de um possível retorno à ditadura.

No entanto, as potências ocidentais ainda acreditam na transição democrática que começou em 2019, segundo indicaram nesta terça-feira.

Os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e a Noruega alertaram o exército, pedindo que se abstenha de nomear um primeiro-ministro por conta própria após a renúncia do líder civil.

Em uma declaração conjunta, disseram que "não apoiarão um primeiro-ministro ou um governo nomeado sem o envolvimento de uma ampla base de civis".

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