Protestos contra governo são suspensos em duas regiões na Bolívia

Apoiadores do partido Movimento para o Socialismo (MAS), do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, bloqueiam o acesso a um aterro sanitário em Cochabamba, em 18 de maio de 2020.

Apoiadores do ex-presidente da Bolívia Evo Morales suspenderam os protestos em duas regiões do país nesta quinta-feira (21), mas seguem exigindo eleições gerais e a renúncia da presidente conservadora Jeanine Áñez.

"Chegamos a um acordo com os 'bloqueadores de ruas e rotas', que se resume a doação de alimentos para a retirada dos bloqueios", disse Edwin Paredes, secretário municipal de Governabilidade de Cochabamba, ao canal estatal BTV.

Os protestos começaram em cinco departamentos da Bolívia na semana passada, mas os mais radicais se reuniram em Cochabamba e Yapacaní, na região leste de Santa Cruz.

Em Yapacaní, o líder camponês Clemente Ramos confirmou nesta quinta-feira que o transporte de cargas foi restabelecido, mas deixou claro que os protestos podem retornar.

"É uma pausa de 10 dias, se eles não atenderem às nossas demandas, vamos realizar um conselho (assembleia popular) para que se cumpram", afirmou o líder.

Ramos também insistiu que "o Supremo Tribunal Eleitoral deve emitir a data da eleição imediatamente", para no máximo, 2 de agosto.

As eleições, originalmente agendadas para 3 de maio, foram suspensas devido à pandemia que infectou quase 5.000 pessoas e causou duzentas mortes no país.

Inicialmente, os manifestantes exigiam o relaxamento da quarentena nacional, em vigor há dois meses, além da distribuição de alimentos. Na sequência, passaram a protestar por eleições a curto prazo e pela renúncia da presidente interina Áñez.

Em Cochabamba, os protestos impediram que caminhões de lixo acessassem um aterro municipal. Em Yapacaní, os moradores bloquearam a estrada principal que liga o leste ao oeste do país.

Após o acordo em Cochabamba, a empresa municipal de limpeza voltou a coletar o lixo que se acumulava nas ruas da cidade.

O governo boliviano anunciou planos de flexibilizar a quarentena, embora alguns setores exijam uma quase normalização das atividades produtivas.