Protestos na Bolívia pelo censo chegam a três semanas e greve continua

Protesto em Santa Cruz, na Bolívia

LA PAZ (Reuters) - A maior cidade da Bolívia, Santa Cruz, marcou três semanas de protestos nesta sexta-feira, com manifestações contra o adiamento do censo cada vez mais efervescentes.

Santa Cruz, um polo agrícola relativamente rico e bastião da oposição, está paralisada há dias por causa de uma greve geral que exige que as autoridades realizem o censo no próximo ano, antes das eleições de 2025.

Na sexta-feira, manifestantes entraram em conflito com grupos alinhados ao governo, com emissoras de televisão locais mostrando brigas que envolveram coquetéis Molotov, motos, fogos de artifício, pedras e paus.

As três semanas de protestos deixaram quatro pessoas mortas e mais de 170 feridas, segundo o governo, culpando o governador da Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, que iniciou a greve em 22 de outubro ao lado de outros grupos de oposição, pela piora da violência.

O ministro da Economia, Marcelo Montenegro, disse na sexta-feira que a greve, que piorou a escassez de alimentos e fez os preços já altos crescerem ainda mais, custou cerca de 700 milhões de dólares.

Grupos regionais e de oposição dizem que o governo socialista em La Paz adiou o censo porque o seu resultado lhes daria mais assentos no Congresso e mais recursos estatais.

Em um artigo de opinião, o ex-ministro da Economia Oscar Ortíz afirmou que os últimos anos de imigração de áreas rurais para Santa Cruz podem ser uma desvantagem para o partido governista Movimento ao Socialismo no Congresso.

“As tendências demográficas não os favorecem”, disse Ortíz. “Será cada vez mais difícil para eles garantir as maiorias legislativas que eles tiveram no passado”.

(Reportagem de Danny Ramos)