PSD 'rouba' Datena e acirra competição com União Brasil por Alckmin em SP

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SÃO PAULO — Quatro meses após ter se filiado ao PSL com convite para concorrer à Presidência da República, o apresentador José Luiz Datena mudou os planos e decidiu desembarcar no PSD. O acordo com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, envolve uma candidatura ao Senado por São Paulo.

A filiação de Datena é mais uma "abocanhada" que o partido de Kassab dá no União Brasil (partido em vias de ser formado da união entre PSL e DEM), que também perdeu recentemente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG). Agora os dois partidos brigam pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com planos de disputar mais uma vez o Palácio dos Bandeirantes.

A ficha de filiação do PSD será a sétima de Datena, e a sexta desde 2015. De 1992 até então ele integrava os quadros do PT. Depois, passou por PP, PRP, DEM, MDB e PSL. Ele ameaçou disputar as últimas três eleições, mas recuou em todas elas para continuar à frente do programa Brasil Urgente, da Band TV.

Kassab nega que o histórico do apresentador seja uma aposta arriscada para seu partido, e afirma que ele se encaixa no projeto nacional do PSD. Ele também afirmou "torcer" para Alckmin optar pelo PSD.

— O meu sentimento é que ele tem realmente o firme propósito de se candidatar e ser senador. Ele sabe que o partido já tem opção para presidente e para governador de São Paulo, que é o Alckmin. Ele vem para somar com esses nomes — declarou.

Ao GLOBO, Datena, que já havia manifestado o desejo de concorrer ao Senado, mas que consideraria disputar o Planalto "se houvesse possibilidade científica, baseada em pesquisa", disse agora ter escolhido o "caminho natural".

— Desde o princípio o projeto era o Senado. O PSL havia me proposto a candidatura à presidência, mas, na realidade, com a fusão com o DEM, como ficou mais difícil essa candidatura, eu resolvi seguir o caminho natural. O Kassab é uma pessoa altamente confiável e um grande articulista político — afirmou o apresentador.

O deputado federal Júnior Bozzella, presidente do PSL de São Paulo e vice nacional, disse não ter sido contatado por Datena até o fim da tarde desta terça-feira e que soube da informação pela imprensa. Ele julga a decisão como "precipitada".

— É natural que algumas pessoas do campo das celebridades às vezes se precipitem. Disputar eleição requer traquejo, tempo, experiência. Ele poderia ter aguardado um pouco mais o melhor formato do tabuleiro nacional — declarou Bozzella.

Datena, no entanto, encontrava pouco espaço nos planos do PSL, especialmente após o anúncio da fusão com o DEM e rumores de que o apresentador conversaria com o PDT para ser vice de Ciro Gomes em 2022. A informação foi declarada pelo próprio presidente da legenda, Carlos Lupi, em entrevista, e incomodou pesselistas.

A vaga ao Senado pretendida por Datena, além do mais, havia sido oferecida ao Movimento Brasil Livre (MBL) por Bozzella na semana passada, numa tentativa de costura para atrair Alckmin ao União Brasil. O grupo, do qual faz parte o deputado estadual Arthur do Val (Patriota), virou parte da negociação com o ex-governador.

Bozzella tenta convencer Do Val a desistir de seu plano de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2022, para apoiar Alckmin. Como contrapartida, Do Val seria lançado à Câmara dos Deputados pelo União Brasil, e o MBL teria o direito de indicar também o nome da chapa ao Senado. O deputado estadual Heni Ozi Cukier, hoje no Novo, é o nome preferido do MBL para essa vaga.

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