PSDB aprova candidatura de Rodrigo Garcia ao governo de São Paulo

O PSDB oficializou, neste sábado, a candidatura de Rodrigo Garcia ao governo de São Paulo. Apesar da pressão do União Brasil, os tucanos não bateram o martelo sobre quem ocupará a vice, decisão que deve ficar para o dia 5 de agosto, data-limite prevista em lei.

Chapa indefinida: Sem vice, Garcia enfrenta pressão de aliados e vê União Brasil flertar com Haddad

Eleições 2022: 'Bolsodrigo' e pesquisas aceleram 'overdose' de bolsonarismo em campanha de Tarcísio

Atual governador do estado, posto que assumiu depois que João Doria deixou a cadeira para ser pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Rodrigo Garcia entrou no palco da convenção tucana dirigindo um fusca, ao som de um jingle que reforçava o fato dele ser um " paulista raiz".

Em seu discurso, o governador adotou um tom conciliador. Apesar dos acenos recentes ao eleitorado conservador, disputado também pelo ex-ministro Tarcísio de Freitas, candidato bolsonarista em São Paulo, Garcia se colocou como um candidato nem da direita e nem da esquerda.

— Meus adversários estão vindo para dividir o nosso estado. Não quero divisão, quero união. Não quero dividir, quero somar — afirmou.

Em crítica ao bolsonarismo, afirmou que quer debater "não pegando em armas", mas através de argumentos. Garcia disse ainda, sem citar o nome de Tarcísio, que o adversário veio para defender os interesses de seu grupo, e não de São Paulo.

— Quer fazer de São Paulo parquinho de diversão de candidato à Presidência.

O governador também fez críticas aoex-prefeito Fernando Haddad, candidato do PT na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes:

— (Haddad) Já teve a oportunidade de governar a cidade e, depois, quando foi avaliada a sua administração, tomou cartão vermelho, foi para a casa, perdeu para branco e nulo.

Embate entre aliados

Como mostrou o GLOBO, a vaga de vice na chapa de Garcia vem sendo disputada por dois partidos aliados, União Brasil e MDB. A sigla liderada por Luciano Bivar, pré-candidato à Presidência, que passou recentemente a negociar com o PT, argumenta que seu apoio quase dobra o tempo de televisão do governador paulista, motivo suficiente para garantir a vaga.

Já os emedebistas cobram de Garcia um acordo selado com o ex-prefeito Bruno Covas (morto em maio de 2021) para a escolha do nome, tarefa que agora caberia ao prefeito da capital, Ricardo Nunes. Não por acaso, o ex-secretário municipal de Saúde Edson Aparecido, que é um dos fundadores do PSDB, deixou o partido há três meses para ser vice do governador.

A situação tem desgastado a relação de Garcia com Nunes, que apesar disso marcou presença no evento deste sábado, realizado no Ginásio do Ibirapuera. A aliança com o chefe do Executivo municipal é tida como necessária para a disputa de votos na capital, onde o ex-prefeito Fernando Haddad leva vantagem, avaliam aliados do governador de São Paulo.

Leia: 'Tenho disposição total de participar da campanha do Bivar', afirma Rodrigo Garcia

Mais: Governador de SP amplia alianças à direita, divide bolsonarismo e provoca reação de Tarcísio

Em discurso antes de Garcia subir ao palco, o prefeito Ricardo Nunes ressaltou a experiência do tucano na máquina administrativa e no Legislativo, afirmando que o governador é do "diálogo" e vai evitar que São Paulo se torne um "ringue" de luta.

A eleição polarizada no estado também pautou falas de dirigentes partidários, como Roberto Freire, presidente do Cidadania, Renata Abreu, do Podemos, e Baleia Rossi, do MDB.

— São Paulo não é para ser dirigido por cabo eleitoral. É para ser dirigido por quem tem raiz, compromisso e a capacidade administrativa — disse Freire.

Além de Nunes, também compareceram à convenção estadual tucana o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), e o vice-presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

O ex-governador João Doria (PSDB), de quem Garcia foi vice, não foi ao evento. Em nota enviada ontem à noite por sua assessoria de imprensa, Doria disse que está em viagem ao exterior, e por isso declinou do convite. Mas reafirmou a “confiança e apoio” na reeleição do aliado.

Guinada à direita

Empatado em segundo lugar com Tarcísio de Freitas na última pesquisa do Instituto Datafolha, de junho, Garcia tem se esforçado para conquistar o voto de eleitores da direita no estado, uma forma também de se descolar de Doria, cuja rejeição é alta.

Para isso, o governador de São Paulo ampliou alianças com partidos ligados nacionalmente ao presidente Jair Bolsonaro (PL), como PP, Patriotas e parte do PL, e investiu em medidas voltadas para os policiais. A mais recente, um decreto que obriga a Defensoria Pública a oferecer assistência jurídica gratuita aos profissionais.

Garcia também tem flertado com o agronegócio, outra classe ligada ao bolsonarismo: o agro. Na última quinta-feira, ele foi a Presidente Prudente para regulamentar uma lei que permite a transferência de terras do estado a produtores rurais.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos